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Programa do PMDB tem como base frase polêmica de Temer sobre reunificação

Peça intitulada 'É hora de reunificar os sonhos' ainda critica o ajuste: 'Solução não está na criação de mais impostos para tapar buracos'

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 13h49

Brasília - Previsto para ir ao ar na noite desta quinta-feira, 24, em cadeia nacional de rádio e TV, o programa partidário do PMDB foi montado com base na polêmica frase do vice-presidente da República, Michel Temer, de que "é preciso alguém para reunificar o País". Intitulado "É hora de reunificar os sonhos", o programa afirma que a "sociedade está angustiada à espera de soluções, cansada de sempre pagar a conta". "É hora de deixar estrelismos de lado, é hora de virar esse jogo, é hora de reunificar os sonhos", diz a apresentadora na abertura da propaganda.

Desde a declaração, feita pelo vice em agosto, Temer passou a ser visto com desconfiança pelo Palácio do Planalto. Logo depois, ele deixou a função de articulador político do governo.

"Esse programa foi brifado naquele momento, com aquela frase. Mas tem que ser dito que não é um programa de oposição ou de governo, é da atual situação do País", afirmou ao Estado o marqueteiro do PMDB, Elsinho Mouco. 

O programa, de 10 minutos, tem a participação de 50 integrantes do partido. Na peça, um mosaico inicialmente formado por dezenas de peemedebistas se transforma, ao final, no rosto de Temer, o primeiro a falar. "A ideia do jogo de imagens é mostrar que o vice-presidente, Michel Temer, está prestigiado internamente, está protegido e que ele busca a união", afirmou Mouco. 

Em sua fala inicial, Temer ressalta o período de dificuldades que o Brasil enfrenta. "O Brasil passa por um período difícil na economia assim como por dificuldades políticas. Todas superáveis. É imprescindível unir forças, colocar o Brasil acima de qualquer interesse partidário ou motivações pessoais. Crise se enfrenta com união, com coragem, com determinação e retidão. É neste contexto que devemos pensar o Brasil", afirma. 

'Alternativa. No vídeo, integrantes do PMDB também criticam de forma indireta o não cumprimento de promessas realizadas durante a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição e se colocam como uma alternativa. "Posso garantir que existe muita gente capaz e pronta para entregar o Brasil que foi prometido a você", afirma o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry. 

O reforço de que o PMDB é o caminho para a saída da crise também é feito pelo governador de Rondônia, Confúcio Moura. "Ninguém mais do que o PMDB tem representatividade em todo o País para unir forças e acerta as contas com a verdade e vencer essa crise", afirma. 

"É feito um reforço de que o partido é uma alternativa para a crise, mas em nenhum momento as declarações têm alguma relação com impeachment (da presidente Dilma Rousseff)", justifica o marqueteiro Elsinho Mouco. 

CPMF. Há recados também contra o ajuste fiscal encaminhado pela equipe econômica nos últimos dias ao Congresso. Entre as medidas anunciadas, para reforçar o caixa da União, está a recriação da CPMF. "A solução não está na criação de mais impostos para tapar buracos no orçamento", diz o deputado federal Lúcio Vieira Lima (BA). Já o vice-presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RR), usa um termo que foi cunhado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. "Menos impostos e mais postos de trabalho." 

Embora tenha integrantes do partido investigados na Operação Lava Jato, também foi inserido no script declarações em favor ao combate à corrupção. "Os escândalos protagonizados por aqueles que desafiam as leis e as instituições não espelham o comportamento e o caráter de milhões de brasileiros", diz o senador Roberto Requião (PR).

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