Programa de tucano pretende explorar elo entre Kassab e Pitta

Coerência política do candidato do DEM será questionada pelo PSDB

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

A principal preocupação do comando de campanha do prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), deverá se confirmar. Em queda nas pesquisas, o PSDB de Geraldo Alckmin já decidiu que vai explorar, nos próximos dias, o que chamam de "passado antiético" do adversário. "Assumi com o dr. Geraldo (Alckmin) dois compromissos: com a vitória e com a verdade. Temos de mostrar os fatos", avisou o novo marqueteiro da campanha tucana, o publicitário Raul Cruz Lima.A idéia é lembrar ao eleitor que Kassab é "da mesma turma" dos ex-prefeitos Celso Pitta e Paulo Maluf (PP). O candidato foi secretário de Planejamento de Pitta, sucessor e pupilo de Maluf. "Não se trata de ataque. Se trata de mostrar a história política dele. Temos que mostrar que Kassab trabalhou com Pitta e Maluf e que é aliado de Orestes Quércia (PMDB)", defendeu o marqueteiro de Alckmin. "Entre as melhores virtudes do Alckmin estão sua coerência política e sua credibilidade. Temos que mostrar isso, a diferença dele para os outros", insistiu o marqueteiro.Pela primeira vez desde que assumiu a comunicação da campanha do PSDB, Cruz Lima exibiu ontem, por completo, "a nova roupagem", nas suas próprias palavras, do programa eleitoral do tucano. O tom da campanha está mais agressivo e Alckmin aparece mais próximo do telespectador. "O foco é o candidato. É colocar os pingos nos is e mostrar o que ele fez. Muita coisa feita por ele estava sendo utilizada por outro", anota, sem citar o nome de Kassab.No quartel-general do DEM a ordem é não dar bola para o adversário. Traduzindo: manter a campanha exatamente como ela está. Para a cúpula da campanha de Kassab, a estratégia tucana não passa de "desespero de nanico", uma cutucada na queda das intenções de voto Alckmin, segundo pesquisas.A três semanas da eleição, a estratégia do PSDB é ir para o "tudo ou nada" e tentar carimbar o passaporte do ex-governador no segundo turno da disputa. Alckmin está com a ida para a segunda etapa do pleito ameaçada pela ascensão de Kassab. A petista Marta Suplicy lidera com folga a corrida rumo à Prefeitura de São Paulo.Cruz Lima afirmou que a idéia é "abrir espaços". Segundo ele, não há um alvo preferencial, como queriam integrantes do comando do PSDB, que seria o PT. "Temos de bater nos dois lados", afirmou. "Temos que mostrar o que está acontecendo doa a quem doer", resumiu um dos principais aliados de Alckmin, o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal. Alckmin tem se mostrado preocupado. No final de semana o candidato e seus interlocutor admitiram, em conversas reservadas, alívio ao checar que a queda nas pesquisas havia sido menor do que previam.

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