Programa de Dilma traz 13 'compromissos gerais'

O lançamento do programa de governo da candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, limitou-se à entrega de um documento com 13 "compromissos gerais", sem detalhamento de propostas. No evento realizado em um hotel na capital paulista, Dilma chegou ao local e permaneceu por cerca de 35 minutos, dos quais em torno de 15 minutos foram dedicados à entrevista coletiva. A justificativa para a rapidez foi o debate do qual a candidata participa na noite de hoje, na Rede Record, para o qual precisaria poupar a voz. Os 13 compromissos adotados pela candidata contemplam as áreas de economia, saúde, meio ambiente e cultura, entre outras.

ANNE WARTH, Agência Estado

25 de outubro de 2010 | 17h08

No documento, a petista se compromete a expandir e fortalecer a democracia política, economicamente e socialmente, além de promover o crescimento com expansão do emprego e da renda, com equilíbrio macroeconômico, sem vulnerabilidade externa e sem desigualdades regionais. O programa inclui a intenção de dar seguimento a um projeto nacional de desenvolvimento que assegure grandes e sustentáveis transformações produtivas do Brasil, além de uma política agrícola que fortaleça a agricultura familiar e o agronegócio.

Na área ambiental, o programa defende o meio ambiente, a garantia de um desenvolvimento sustentável e a ênfase na produção de energia renovável. O texto defende ainda a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades, o que promoveria a igualdade com garantia de futuro para os setores discriminados na sociedade.

Outra intenção tratada é a de governar para todos os brasileiros, com atenção especial aos trabalhadores. O documento defende ainda a garantia à igualdade social, à cidadania e ao desenvolvimento. Na área da ciência e tecnologia, manifesta o desejo de transformar o Brasil em potência científica e tecnológica. Na saúde, por sua vez, defende a universalização do acesso e a garantia à qualidade de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O programa inclui também a intenção de prover as cidades de habitação, saneamento, transporte e vida digna e segura. Em cultura, sustenta a valorização das manifestações nacionais, o diálogo com outras culturas e a democratização dos bens culturais. O texto prega ainda a segurança dos cidadãos e o combate ao crime organizado.

Liberdades

Um ponto de destaque na carta é a intenção de favorecer a democratização da comunicação e a garantia da liberdade de imprensa. O programa defende ainda as liberdades de expressão e religiosa, bem como o aprofundamento do respeito aos direitos humanos. Na seara econômica, defende o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a realização de mudanças tributárias que racionalizem a estrutura de arrecadação de impostos.

O documento manifesta a intenção de promoção de uma reforma política que fortaleça as instituições e incentive a participação popular, eliminando distorções do processo eleitoral. O documento prega também uma reforma do Estado que dê transparência e permeabilidade às demandas da sociedade e garanta eficácia no combate à corrupção.

O programa contém oito páginas de texto e é assinado pela coligação "Para o Brasil Seguir Mudando", com os nomes da candidata do PT e do seu vice na chapa, deputado federal Michel Temer (PMDB-SP).

''Compromissos gerais''

Ao falar com a imprensa, Dilma disse que os compromissos são na verdade diretrizes que devem orientar o seu governo, e não metas. "Obviamente são compromissos gerais, não metas. Eles têm o sentido de diretrizes", afirmou. A petista disse que a coligação já lançou programas setoriais, de forma especifica, nas áreas de juventude, educação, meio ambiente, ciência e tecnologia, cultura, saúde e necessidades especiais para portadores de deficiência.

Ela também afirmou não considerar que o lançamento do programa ocorreu tardiamente, a apenas seis dias das eleições. "Nós expusemos as propostas em todos os programas de TV, exaustivamente. Estamos agora formalizando as propostas, inclusive para o futuro. Se Deus quiser, e eu for eleita, isso será a base da governabilidade", explicou.

Dilma disse considerar a exposição de ideias na TV e no rádio como o método mais fácil de se comunicar com o eleitor. "Não acho que é superficial, não. A não ser que a gente acredite que a comunicação televisiva é intrinsecamente superficial", afirmou. "O texto escrito a gente divulga, mas, na TV, é muito mais abrangente e chega a mais pessoas."

Ainda que os presentes tenham negado que o evento tenha sido marcado de última hora, o lançamento do programa de governo de Dilma foi feito em cerimônia fechada, apenas com a presença limitada a líderes políticos.

O padrão adotado hoje destoa da tradição do PT, que é a de realizar grandes cerimônias, com a presença massiva de militantes. Para se ter uma ideia, para que todos os jornalistas tivessem acesso ao documento, as lideranças tiveram de conceder suas cópias do programa para a imprensa e saíram do local sem o documento em mãos.

Debate

Sobre o debate de hoje à noite, Dilma disse esperar que ele seja esclarecedor e não agressivo. "Acho que o debate de primeiro turno é de um tipo e o de segundo turno é de outro tipo. Geralmente, as posições tendem a ser mais claras e assertivas quando há apenas duas pessoas", afirmou. "Espero que o debate seja mais esclarecedor que os de primeiro turno."

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