Programa de cotas será acelerado, diz Haddad

Segundo titular da Educação, escolas com ações afirmativas passam de 40

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

Os programas de cotas raciais e sociais estão avançando rapidamente nas universidades federais - e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende apoiar cada vez mais as escolas que decidirem adotá-los. Essas afirmações foram feitas ontem pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, ao participar de um debate sobre ações afirmativas, em São Paulo.Ele informou que 40 escolas federais já adotaram políticas de ações afirmativas. Também lembrou que esse processo ocorre à revelia do Congresso - que estaria relutando em debater o projeto de lei do Executivo sobre cotas."Para nossa agradável surpresa, independentemente da aprovação da lei, que se encontra paralisada no Congresso, depois de ter passado por todas as comissões e estar pronta para ir a plenário, as federais, por meio de seus conselhos superiores, passaram a aprovar várias modalidades de políticas afirmativas", disse Haddad. "No Ministério da Educação estamos convencidos de que devemos avançar ainda mais nessas políticas e, tanto quanto possível, apoiar as universidades que, de livre e espontânea vontade, decidirem adotá-las"Os programas de cotas estariam dando bons resultados. De acordo com o relato do ministro, nenhuma das "previsões catastrofistas" feitas por opositores do sistema concretizou-se: "A idéia de recrudescimento de ódio racial e a idéia de perda da qualidade da educação nas federais não aconteceram na prática. Não tem havido nenhum prejuízo para essas instituições."O debate foi organizado pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), dentro de um ciclo de encontros mensais que começou em agosto e tem final previsto para dezembro, sob o seguinte nome: Ações Afirmativas: Estratégias para Ampliar a Democracia. Ontem, além do ministro, participaram o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, e o economista Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Diante de uma platéia formada quase exclusivamente por negros, de movimentos sociais, políticos e acadêmicos, Haddad afirmou que o governo Lula está levando adiante "duas riquíssimas experiências" no resgate de dívidas sociais: o ProUni, que já distribuiu pela rede privada de ensino superior 300 mil bolsas de estudos para estudantes carentes, dos quais 136 mil seriam afrodescendentes; e os programas de cotas sociais e raciais nas universidades públicas. "Esse contingente, de quase 400 mil alunos, não teria acesso à educação superior não fossem essas políticas", disse.MÍDIAO reitor da UnB - escola que adotou as cotas raciais em 2003 e já abriu as portas para 2 mil afrodescendentes - apontou a mídia como principal ponto de reação ao sistema. "O convívio entre estudantes em nossa escola é absolutamente pacífico. O único ódio que existe é o de certos setores da mídia", afirmou Mulholand.Ele disse que a mídia festeja a parada do orgulho gay e aprova a atenção especial dada nos vestibulares da UnB aos portadores de necessidades especiais, como tetraplégicos, mas "fecha a cara" quando se trata da inclusão do negro. "Isso tem explicação e tem nome", insinuou, sem citar a palavra racismo.O professor Paixão, da UFRJ, também criticou a mídia. Ele afirmou que a oposição às cotas e políticas de ações afirmativas reuniu grupos intelectuais e políticos de diferentes concepções ideológicas. "Formaram a santa aliança."

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