Programa da Finep visa aumentar competitividade

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) está preparando um Programa Nacional de Inovação Tecnológica para enfrentar os novos desafios da era do conhecimento, como é definido o século XXI. O presidente da Finep, Mauro Marcondes Rodrigues, acredita que essa é a saída para atender o aumento da demanda das empresas por financiamentos para inovação, considerada fundamental para assegurar a competitividade das empresas brasileiras no contexto da economia globalizada. ?As empresas estão mudando a sua estratégia, pois perceberam que devem sair da competição baseada apenas na dimensão preço e buscar valor agregado para seus produtos?, ressaltou Rodrigues, em entrevista à Agência Estado. A Finep, agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), é o único órgão do governo federal voltado prioritariamente para financiamento de projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que promovam a inovação. O Programa Nacional de Inovação tem como objetivo incentivar as empresas a trabalhar com pesquisa para adicionar elementos tecnológicos aos produtos, ampliando ou melhorando sua utilidade. O Programa irá incorporar ações já adotadas pela Finep e terá novas medidas, como a criação de um fundo de financiamento, a reformulação da lei 8.661, de 1993, que gerou mecanismos de incentivo fiscal. Além disso, inclui a proposição de uma lei de incentivo à inovação que integre universidades, centros de pesquisa, empresas e governos. O anteprojeto da lei de inovação será apresentado entre 18 e 21 de setembro, na Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, organizada pelo MCT em Brasília. R$ 500 milhões é a verba mínima necessáriaAo idealizar o fundo de financiamento, o presidente da Finep busca recursos estáveis para assegurar a execução de uma política de apoio ao desenvolvimento tecnológico. Ele informa que a financiadora está negociando no governo as fontes para formação do fundo. Rodrigues defende uma base semelhante à utilizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem 40% dos seus recursos provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). ?Queremos garantir que os recursos da Finep estejam pelo menos na faixa dos R$ 500 milhões para podermos trabalhar com mais estabilidade?, disse.Todas as mudanças propostas pelo programa devem beneficiar diretamente a capacidade de exportação do Brasil, cuja ampliação é considerada vital para a sobrevivência das empresas que atuam no País. Rodrigues acredita que essa percepção chegou ao empresariado e deverá resultar no aumento da demanda por financiamentos da Finep. ?Não temos recursos suficientes para dar conta do que vem pela frente?, afirmou. Daí a necessidade de se criar um fundo ou um programa voltado para a inovação tecnológica. Na sua avaliação, atualmente, a fabricação dos produtos está se transformando em commodities. Para sobreviver, as empresas precisarão agregar valor a seus produtos. Os países que quiserem se desenvolver devem dar o incentivo à inovação como forma de ampliar sua pauta de exportações. ?Precisam investir no pré-venda, no desenvolvimento da tecnologia que agregará valor, e no pós venda, ou seja, no marketing, na consolidação da marca, no design, na distribuição?, apontou. A Finep adotou uma linha mais ativa em 2001, passando a procurar as empresas, universidades e centros de pesquisa para sugerir projetos de inovação que comportem financiamento. Um exemplo recente foi a convocação para que empresários do setor de petróleo apresentassem projetos de pesquisa para inovação. As próprias empresas detectaram as necessidades, procuraram pesquisadores que pudessem trabalhar no projeto e enviaram a proposta para a financiadora.Projeto InovarRodrigues destacou que uma das iniciativas em andamento que o governo pretende incorporar ao Programa Nacional de Inovação é o Projeto Inovar. Trata-se de projeto que incentiva a presença do capital de risco no financiamento de propostas de inovação nas pequenas e médias empresas emergentes de base tecnológica. Uma das principais ações do Inovar é a realização dos "venture fóruns", organizados periodicamente para reunir empresários com propostas de inovação em suas empresas e companhias de capital de risco que queiram entrar como parceiras do projeto. ?Os empresários são preparados previamente pela Finep para se apresentar nos fóruns. Das 42 empresas que participaram dos três fóruns já realizados, 24 já estão fechando contratos com empresas de capital de risco para viabilizar seus projetos?, contou.Rodrigues defende que o investimento das empresas em inovação cresça também pela via de recursos humanos, pois o Brasil forma atualmente cerca de 5 a 6 mil doutores por ano e não há emprego para todos. ?Hoje, com a estabilidade econômica, as empresas estão preparadas para absorver esses doutores, podem fazer planejamento a longo prazo?, argumentou. Ele enfatizou ainda que é necessário investir mais no ensino médio. Segundo a Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), as empresas de capital nacional estabilizaram seus investimentos em pesquisa, desenvolvimento e engenharia em cerca de 1% do seu faturamento, índice bem abaixo de países como a Coréia. Outra referência para comparação é o número de patentes registradas nos Estados Unidos, um indicador do esforço de inovação tecnológica das empresas de um país. Rodrigues observou que a Coréia depositou 3.472 patentes nos EUA no ano passado, contra 113 do Brasil, apesar de os dois países ostentarem condições semelhantes tanto em relação à qualidade das pesquisas quanto à quantidade de cientistas. Isso demonstra que o problema brasileiro é motivado principalmente pela falta de atuação das empresas.O Brasil investe hoje 1,3% do Produto Interno Bruto em pesquisa e a meta do MCT é chegar a 2,5% do PIB em 10 anos, patamar em que se encontra a Coréia hoje. ?Estamos conclamando o governo e as empresas a colocarem em suas agendas que investir em inovação é vital na atual economia, baseada no conhecimento?, concluiu o presidente da Finep.

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