Profissionais do Iphan lamentam saída de Calero e repudiam 'interferências políticas' no órgão

Em nota pública, instituição afirmou que ex-ministro da Cultura deixou o governo porque se negou a interferir em decisão técnica do IPHAN

André Borges, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2016 | 17h36

BRASÍLIA – A Associação Profissional dos Trabalhadores Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural Nacional (Asphan) lamentou a saída do ministro da Cultura, Marcelo Calero, e “interferências políticas indevidas” no trabalhado desenvolvido pelos profissionais do Iphan

Por meio de nota pública, a Asphan afirma que Calero deixou o governo, porque “se negou a interferir em decisão técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, para atender interesses pessoais do também Ministro Geddel Vieira Lima, proprietário de apartamento em edificação embargada pela autarquia”.

Calero, segundo a associação, “demonstrou, com seu ato, ser homem digno e probo. Justo também, elogiar sua conduta em relação ao tratamento dispensado ao corpo funcional da instituição”.

Segundo Leonardo Barreto de Oliveira, presidente da Asphan, Marcelo Calero manteve diálogo com os profissionais “de maneira íntegra e cordial” e se esforçou para tentar melhorar “as difíceis condições de trabalho dos servidores do Iphan”, órgão que vai 80 anos. O comunicado também reconhece o trabalho da presidente do Iphan, Kátia Bogea. A associação afirma que espera uma apuração das acusações pelo Ministério Público Federal.

“Essa conduta mantém a nós, servidores do Iphan, firmes para enfrentar as pressões às quais, nas ações de fiscalização somos cotidianamente submetidos”, destaca a carta. “Confiamos no repúdio da sociedade, e da mídia, a estas interferências políticas indevidas, e no apoio ao nosso trabalho isento que visa impedir, que, em beneficio de poucos, a especulação imobiliária descaracterize ou destrua locais referenciais de nossa identidade, como neste caso o conjunto protegido da cidade de Salvador”.

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, foi acusado por Calero de fazer pressão para mudar relatórios do Iphan da Bahia e liberar uma obra onde tem apartamento, em área nobre de Salvador. Geddel já confirmou ter tratado do tema com Calero, mas negou que tenha feito algum tipo de pressão.

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