Compra de petroquímica pela Odebrecht ocorreu de forma fraudulenta, diz Andorra

Revelação do jornal El País indica o uso de banco sob suspeita para camuflar pagamentos. Documentos obtidos pelo Estado confirmam a relação entre a Odebrecht e a instituição

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2017 | 14h10

GENEBRA – A compra da empresa petroquímica Quattor-Unipar pela Odebrecht e Petrobras foi realizada por meio de um banco acusado de lavagem de dinheiro e é suspeita de ter sido realizada de forma fraudulenta. Investigações realizadas pela polícia de Andorra apontam que o esquema envolveu o instituição Banca Privada de Andorra. As revelações são do jornal El País. 

Documentos obtidos pelo Estado confirmam que o banco acusado de ser um centro de lavagem de fundos foi de fato amplamente usado pela Odebrecht para realizar negócios suspeitos e pagamentos de propinas. O BPA, em 2015, foi acusado pelo Tesouro Americano de operar para grupos criminosos de todo o mundo, inclusive para a máfia russa. 

+ Andorra apura elo de políticos com Odebrecht

Para a compra da Quattor, em 2010, a Odebrecht e a Petrobras pagaram US$ 500 milhões e permitiu que a Odebrecht Braskem se transformasse na maior petroquímica da América Latina. 

Para isso, foram identificados pagamentos de US$ 150 milhões para o então presidente da Unipar Carbocloro, Frank Geyer. 

Segundo o jornal El País, a polícia de Andorra tem indícios de que a compra ocorreu sem o conhecimento dos acionistas e o pagamento ocorreu em contas na Suíça. 

“Para realizar o negócio, a  Odebrecht criou a fundação Lodore, de onde se autorizaria os pagamentos ocultos ao resto dos sócios da Braskem de 100 milhões de dólares, dos 150 acordados a favor de Frank Geyer Abubakir”, indicou a polícia de Andorra.  Ele, portanto, autorizaria a venda a favor da Odebrecht. 

“O pagamento teria de ocorrer de forma que não aparecesse nem fosse conhecido dos restos dos acionistas do consórcio (Unipar, Petrobras, outros acionistas minoritários e o CADE. 

Mas a investigação também revela o uso do BPA para permitir que a transação fosse realizada. Nos documentos, a sociedade panamenha Lodore Foundation, teria sido usada. Gerentes e representantes da fundação e do banco ainda teriam tido um “papel importante na logística, formulação e construça7o dos entramados societários para operações triangulares em beneficio de Odebrecht através da BPA”, diz a polícia. 

 Para realizar a compra fraudulenta, a polícia de Andorra ainda registrou uma complexa operação, que envolveu até mesmo a compra de papéis do Tesouro Americano. Na semana passada, o Estado havia revelado com exclusividade essa prática da Odebrecht. 

Para realizar a transação, o banco sob suspeita ainda cobrou comissões de 2,5% de todo o volume movimentado. 

Procurada, a Odebrecht ainda não respondeu à reportagem. 

Tudo o que sabemos sobre:
Operação Lava Jato

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.