Professores voltam a dar aulas amanhã na FFLCH

Talvez amanhã se consigaperceber mais claramente o que pensam os mais de 12 mil alunosda Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) daUniversidade de São Paulo (USP) em relação à greve. Osprofessores voltam a dar aulas e os estudantes foram convocadospela direção da unidade para a retomada das atividadesacadêmicas. Mas, na última assembléia de alunos, a maioria votoupela continuidade da paralisação. Salas cheias nesta semanapodem significar enfraquecimento da greve, que já dura mais decem dias. "Não vou entrar na sala de aula. A greve é dosestudantes e não dos professores", diz a aluna do segundo anodo curso de Ciências Sociais Amanda Gross. "Essa assembléia nãome representa", rebate outra estudante, Camila Nunes, de 25anos. Ela diz que não perderá mais um dia de aula e acha que amaioria pensa da mesma maneira. Para Camila, a votação na semanapassada foi "manipulada" pelos alunos que não queriam o fim dagreve. "Eles demoraram para iniciar a votação e a assembléiafoi esvaziando." "Não é possível fazer uma assembléia sem discussão",diz o aluno Diogo Leite. Ele se refere às 80 pessoas quediscursaram antes da votação, fazendo com que a assembléiadurasse cerca de quatro horas. As votações reúnem, no máximo,10% do total de alunos da FFLCH. "Vou para a faculdade apenas para conversar com colegase explicar que a greve não terminou", diz Diogo. Ele participado comando de greve e garante que não há piquetes organizados."Ninguém será agredido fisicamente ou verbalmente por quererentrar na sala de aula." Segundo Diogo, é possível retomar asnegociações com a reitoria para que as reivindicações de 259novos professores e uma política de substituição dos docentesaposentados sejam atendidas. "Já conseguimos uma grande vitória, é hora de voltar",afirma Paulo Galvão, aluno de História, que também pretendeassistir à aula hoje. Na última reunião de negociação da greve,o reitor da USP ofereceu 92 professores para a FFLCH. A ofertafoi aceita pela congregação da unidade - composta principalmentepor professores - e foi a partir disso que ela determinou avolta às aulas. O calendário já começou a ser reestruturado paraque o primeiro semestre, que foi interrompido, não sejacancelado. As aulas deste ano letivo devem ir até 1.º defevereiro de 2003.

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