Professores federais completam 33 dias de greve

Os professores de instituições federais completaram hoje o 33º dia de greve. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), Roberto Lehrer, a paralisação atinge 95% da base, composta por 39 universidades. ?Isso dá umas 45 mil pessoas, o que configura a maior greve da história das instituições federais de ensino superior?, garante.Na próxima quarta-feira, representantes da Andes, da Federação das Entidades dos Servidores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra) e da União Nacional dos Estudantes (UNE) terão uma audiência, em Brasília, com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Esta será a terceira reunião com representantes do governo federal desde o início das paralisações, em 22 de agosto. ?Esperamos que o ministro abra o canal de diálogo e que, a partir desta instalação formal das negociações, o governo defina interlocutores?, disse Lehrer. Segundo ele, as duas tentativas anteriores de negociação naufragaram. ?A primeira reunião com a Secretaria de Ensino Superior do MEC foi ruim, porque todos os itens da nossa pauta foram rejeitados?, disse. ?A segunda reunião, ocorrida na semana passada com o ministro do Planejamento, Martus Tavares, foi igualmente ruim, porque ele disse que a questão dos servidores quem resolve é o Legislativo. O problema é que somos funcionários do Executivo?, protestou.Os professores federais reivindicam incorporação das gratificações, que representam 75% dos salários, reposição salarial de 75,48%, referente ao período de 95 a 2001, e abertura de concurso público para 8 mil vagas, hoje correspondentes ao número de professores substitutos. De acordo com o Lehrer, se o governo concordar com o item referente às gratificações, o índice pleiteado de reposição salarial poderia ser reduzido a 35%. No dia 3 de outubro, a categoria dos professores federais, filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), integrará, em Brasília, a Segunda Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A expectativa é de que cerca de 30 mil pessoas marchem até a sede do MEC, na Esplanada dos Ministérios, para exigir qualidade na educação pública. JudiciárioTambém os servidores do Poder Judiciário do Estado de São Paulo estão em greve desde o dia 27 de agosto. Eles alegam que estão há sete anos sem aumento e pedem 54,31% de reposição salarial, aumento do auxílio-alimentação, auxílio-saúde, auxílio-transporte e definição de uma data-base.Segundo o presidente da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Gozze, quando se deu início à paralisação dos trabalhos, não houve uma contraproposta. ?O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (Márcio Martins Bonilha) alega que já está gastando mais do que 6%, que é o que determina a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Mas nós não concordamos, porque tem que se cumprir a Constituição, que determina no artigo 37, inciso 10, uma revisão salarial, na mesma data, para todos os servidores?, argumenta.Ele calcula que 33 mil funcionários do Poder Judiciário do Estado, dos 41 mil na ativa, estejam parados. Na quarta-feira, os grevistas realizam uma assembléia geral, às 13 horas, na Praça João Mendes, no centro da capital, para pressionar o TJ.

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