Professores em greve vão protestar contra Garotinho

Professores e funcionários de escolas estaduais lavam amanhã as escadarias da Assembléia Legislativa num protesto contra o "desrespeito" do governador Anthony Garotinho às leis. Os professores acusam o pré-candidato à Presidência pelo PSB de descumprir o plano de carreira, criado por leis de 1989 e 1993. O protesto marcará o 25.º dia de greve nas escolas estaduais, que têm cerca de 1,5 milhão de estudantes, 50 mil professores e 25 mil funcionários.O coordenador-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Sérgio Aurnheimer, tentou negociar com a vice-governadora Benedita da Silva (PT), que assume o governo na sexta-feira, substituindo o governador Anthony Garotinho (PSB). Segundo Aurnheimer, ela respondeu que não poderia se comprometer com o pagamento previsto pelo plano de carreira porque não tem acesso às contas do governo. "Se ela não cumprir a lei, a greve vai continuar", afirmou o coordenador do Sepe.De acordo com o coordenador do Sepe, o salário-base dos professores é de R$ 431, que pode ser acrescido de até R$ 500 em gratificações. No caso dos funcionários, o piso é de R$ 231, podendo alcançar R$ 400. "O problema é que essas gratificações não contemplam os aposentados. Queremos o cumprimento do plano de carreira que leva em conta o tempo de serviço e a escolaridade do profissional e abrange toda a categoria", afirma Aurnheimer. Os professores e funcionários podem obter acréscimo de até 50% do salário nos seus vencimentos, caso o plano de carrerias seja cumprido. A categoria pede ainda o pagamento de gratificação dos professores que têm carga horária de 40 horas semanais.No início do mês passado, Garotinho decretou o pagamento, parcelado em seis vezes, do acréscimo no salário a que os professores e funcionários têm direito por conta do plano de carreiras. A categoria rejeita a medida. "O parcelamento empurra o pagamento para o futuro. Só vamos começar a receber o total do aumento, na verdade, a partir de outubro. O decreto também não trata do pagamento dos atrasados", reclama o coordenador-geral do Sepe.A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação informou que o parcelamento é necessário para que o governo não ultrapasse os limites de gastos com a folha de pessoal fixados pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Os 50 mil professores e 25 mil funcionários estão em greve desde o dia 6 de março. Aurnheimer disse que já tentou negociar com a vice-governadora Benedita da Silva, mas ela teria respondido que não poderia se comprometer com o pagamento previsto pelo plano de carreira porque não tem acesso às contas do governo. "Se ela não cumprir a lei, a greve vai continuar", afirmou o coordenador do Sepe.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.