Professores do RJ aplicam prova sobre sistema de transportes da gestão Paes

Esta é a 3ª denúncia sobre suposta utilização de materiais pedagógicos da rede pública como propaganda política do prefeito

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 15h59

RIO - Uma nova polêmica envolve a Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio e a utilização de materiais pedagógicos para propaganda política do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Professores revelaram que uma prova de matemática apresentava informações sobre o sistema de transporte público Bus Rapid Transport (BRT), inaugurado pelo prefeito no ano passado. A prova foi aplicada uma semana antes das eleições municipais de outubro, quando o prefeito se reelegeu no primeiro turno. Procurada pelo Estado, a secretaria se recusou a informar a quantidade de cartilhas distribuídas nas escolas e o custo da produção do material pedagógico. Paes também não tem falado do assunto.

Esta é a terceira denúncia de ingerência política no material pedagógico das escolas municipais do Rio desde a última semana. O novo caso foi revelado na segunda-feira pelo jornal O Dia. A prova bimestral é realizada como instrumento de avaliação externa da qualidade do ensino da rede. A questão proposta na prova de matemática do 6º ano detalha a capacidade de passageiros do ônibus para formular um problema de subtração aos alunos. Junto com uma questão, há uma foto que reproduz o modelo implantado no Rio em junho de 2012.

Na última quinta-feira, o Estado revelou que duas páginas do Caderno Pedagógico de matemática distribuído para turmas do 6º ano continham referências ao desempenho eleitoral de Eduardo Paes. O material foi distribuído na semana passada, a primeira do ano letivo, juntamente com um jogo "Banco Imobiliário - Cidade Olímpica", que destacava as obras do atual prefeito da cidade. As 20 mil unidades do jogo custaram mais de R$ 1 milhão à secretaria e foram adquiridas sem licitação.

Em nota, a SME informou apenas que os cadernos pedagógicos são preparados por professores da rede municipal com a supervisão de docentes de universidades cariocas que "são orientados a não utilizarem materiais que envolvam políticos." Na última sexta-feira, a secretaria determinou que as páginas com questões que mencionavam o prefeito fossem arrancadas.

De acordo com professores da rede municipal, o material pedagógico fornecido pela SME desde 2009 também contém falhas de conteúdo, erros de português e no gabarito dos exercícios propostos. Os professores também questionam as referências ao Parque de Madureira impressas na contracapa das cartilhas distribuídas. O Parque também foi inaugurado no último ano pelo prefeito Eduardo Paes.

Para o professor Leonardo Kaplan, do Fórum em Defesa da Educação Pública do Rio, o conteúdo do material é "raso e superficial" e provoca "um rebaixamento da qualidade do ensino e da autonomia do professor.

"Há uma coerção para utilização da cartilha. O diálogo com a secretaria é muito limitado. Quando fiz sugestão sobre o conteúdo, disseram que elas seriam incorporadas mas não foram", afirma.

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