Professores do PR invadem pátio do palácio do governo

Professores da rede estadual de educação do Paraná invadiram o pátio do Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense, em Curitiba, nesta manhã, logo depois de uma passeata, e foram detidos a poucos metros da porta do prédio pela Tropa de Choque da Polícia Militar. Os professores reivindicam reajuste salarial e queriam negociar com o governador Jaime Lerner (PFL). Somente no final da tarde uma comissão foi recebida por secretários. As conversas devem se estender pela noite. A direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) prometeu acampar no local. Policiais militares calcularam que havia cerca de 4 mil pessoas, entre professores e estudantes, na passeata. Segundo o presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, os professores não aceitaram a grade colocada na Praça Nossa Senhora de Salete para isolar a sede do governo paranaense. "Não somos gado", justificou. Com os ânimos exaltados, alguns manifestantes forçaram-na e conseguiram arrebentar o cadeado. Segundo Miranda, a presença de policiais militares irritou-os. "Só queríamos negociar", disse. O secretário da Administração, Ricardo Smijtink, rebateu dizendo que o governo estava pronto desde cedo para receber uma comissão dos professores. "Mas eles resolveram radicalizar", afirmou. Segundo Smijtink, a manifestação "claramente tem conotação política". "São oportunistas que querem aproveitar desse momento para aparecer", acusou. No final da tarde, Smijtink disse que o governo estava disposto ainda a receber a comissão de professores, mas exigia que os cerca de 300 manifestantes que estavam no pátio do Palácio Iguaçu se retirassem. Os professores concordaram em tirar apenas um carro de som e, acompanhada por um grupo de deputados estaduais, uma comissão entrou no prédio para iniciar as negociações. A APP-Sindicato afirma que os professores não recebem a correção da inflação desde agosto de 95 e calculam que seriam necessários 64% de aumento para equilibrar os salários. O secretário da Administração rebateu os números. "Não corresponde à realidade", disse. "Nos últimos sete anos, o magistério teve aumento de 140%", garantiu. "O Estado tem feito aquilo que é possível dentro daquilo que arrecada." Os números divergem também em relação à adesão à paralisação convocada ontem pela APP-Sindicato. Enquanto o sindicato garantia que 80% das escolas do Estado tinham parado, a Secretaria de Estado da Educação afirmava que a adesão maior tinha sido na região de Curitiba, onde chegou a 21%. Segundo a secretaria, no interior a adesão foi "insignificante".

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