Professores do DF denunciam pressão

Em rebelião contra uma suposta ordem que exige a transformação de diretores de escolas em cabos eleitorais da candidata ao governo do Distrito Federal Weslian Roriz (PSC), 14 diretores das regionais de ensino do DF já pediram demissão - 8 na sexta-feira (dia 1º), 2 na segunda e 4 ontem.

AE, Agência Estado

09 de outubro de 2010 | 08h16

O motivo foi uma mensagem do secretário de Educação, Sinval Lucas, que teria coagido professores da rede pública de ensino a fazerem campanha em horário de trabalho, segundo denúncia do ex-diretor da Regional de Ensino do Plano Piloto Fábio Pereira.

Segundo Fábio Pereira, em reunião com os 14 diretores das regionais, na última terça-feira, o secretário Sinval Lucas ordenou que todos trabalhassem apenas meio período para dedicar a outra metade do tempo fazendo campanha para Weslian. Sinval teria pedido ainda que os diretores demitissem os servidores comissionados que fossem identificados como apoiadores do PT.

"Nós já temos carências de pessoal, como podemos aceitar impassíveis esse tipo de ordem?", questiona Fábio. "Para não tomar uma atitude tão sem ética, preferi me demitir", afirmou. O ex-diretor apresentou sua carta de exoneração ontem, quando também apresentou queixa-crime ao Ministério Público do DF por assédio moral.

Ainda de acordo com Pereira, Sinval Lucas disse "com todas as letras" que os diretores deveriam trabalhar para a candidatura de Weslian. "Ele disse que depois, então, telefonaria para definir o papel de cada um na campanha", afirma o professor, servidora da fundação educacional há 13 anos. "Ele disse que o atual governo estava alinhado com a candidata Weslian Roriz, e seria para nós trabalharmos para ela", confirma o professor Raniere Carneiro Falcão, ex-diretor da regional de Sobradinho, há 14 anos na fundação educacional.

Em entrevista coletiva, no início da tarde, Sinval Lucas negou as acusações. Para ele, os diretores pediram exoneração por "fidelidade" ao ex-secretário de Educação. "Eu não disse em momento algum que quem não apoiasse candidato A ou B perderia o cargo", disse. "Foi uma atitude louvável deles, eles quiseram demonstrar fidelidade ao colega que havia pedido para deixar o cargo", completou.

A assessoria de imprensa do governador informou que ele não pretende demitir o secretário Sinval Lucas, nem pedirá investigação das denúncias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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