Professores de Alagoas encerram greve de 70 dias

Os servidores da Educação decidiram nesta segunda-feira retornar ao trabalho, após cerca de 70 dias em greve. A decisão foi tomada em assembléia geral extraordinária, realizada pela manhã, no Clube Fênix Alagoano, em Maceió. Em clima de emoção, professores e dirigentes sindicato se abraçaram e comemoraram a conquista da isonomia. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), Girlene Lázaro, destacou a unidade e a resistência da categoria, na luta pelos 80% da isonomia salarial. Para a sindicalista, esses mais de dois meses de paralisação serviram para "mostrar ao governo do Estado que a luta dos trabalhadores é mais forte". "Não conseguimos tudo do jeito que queríamos, mas garantimos o pagamento dos 80% da isonomia salarial, mesmo de forma parcelada", acrescentou Girlene. De acordo com a proposta aceita pela categoria, o governo deverá pagar 40% da isonomia nos meses de março e abril, retroativos a fevereiro, em folhas suplementares. Os outros 40% serão pagos de forma parcelada: 10% em outubro deste ano e os 30% restantes a partir do ano que vem: 10% fevereiro, 10% em março e 10% em abril. Com isso, fica garantido os 100% da isonomia salarial, já que o governo anterior vinha pagando 20% da isonomia desde outubro de 2006 e tinha programado pagar o restante na folha de dezembro.No entanto, o reajuste foi suspenso assim que o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) tomou posse. Alegando problemas de caixa, ele cancelou todos os reajustes salariais concedidos em 2006. Com isso, várias categorias de servidores entraram em greve. Uma semana depois, o governo decidiu devolver os reajustes, mas deixou os professores com apenas os 20% da isonomia. Revoltados, os servidores da Educação continuaram em greve, reivindicando o pagamento dos 80% restantes. Invadiram e ocuparam a sede da secretaria de Educação, realizaram várias manifestações de protesto e finalmente conseguiram arrancar do governo uma proposta muito próxima da isonomia salarial que conquistaram em abril de 2006. Além de garantir pagar os 80% da isonomia, o governo do Estado ainda se comprometeu em suspender as multas e o corte de ponto, aplicados pela Justiça desde que a greve foi considerada ilegal. Para celebrar o acordo, será assinado um Termo de Ajuste de Conduta entre o governo do Estado e o sindicato da categoria nesta terça-feira.Em entrevista à imprensa, a professora Girlene Lázaro destacou que, além do sentimento de vitória, a categoria deixou claro o seu compromisso com a Educação no Estado quando, mesmo em greve, realizou as matrículas dos estudantes e fez um levantamento completo do número de alunos que estão fora da sala de aula. "Esta luta serviu, sobretudo, para abrirmos um canal permanente de negociação com o governo do Estado e com os demais setores da sociedade alagoana, para que possamos discutir também outros temas relacionados à qualidade da educação pública, a alfabetização de jovens e adultos, além da questão previdenciária", finalizou Girlene.

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