Professores da USP, Unesp e Unicamp podem parar

Os sindicatos de professores e funcionários das três universidades estaduais de São Paulo reduziram hoje suas reividicações de reajuste salarial de 16% para 9,4%. O conselho de reitores das três universidades do Estado já havia oferecido na semana passada 6,46% de aumento, mas os sindicatos não aceitaram. O impasse, se permanecer, pode levar a uma greve por tempo indeterminado.Os reitores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já haviam considerado impossível o índice anterior (de 16%) e se reuniram hoje com os sindicatos para discutir a contraproposta. Até as 20 horas, a reunião não havia terminado. Professores e funcionários das universidades pararam hoje para pressionar as negociações.Para o reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Carlos de Souza Trindade, o aumento de 16% ?significaria uma queda na qualidade das pesquisas e da extensão das universidades". Segundo ele, o Conselho dos Reitores das Universidades do Estado de São Paulo (Cruesp) elaborabou estudos de gastos no caso de conceder o aumento pedido. Foi levada em conta a previsão oficial de uma arrecadação do ICMS este ano de cerca de R$ 26,2 bilhões - o orçamento das três universidades representa 9,57% desse total. Partindo desse número, ainda segundo Trindade, se fosse dado o aumento de 16% aos trabalhadores, 97% do orçamento da USP e da Unicamp ficariam comprometidos com a folha de pagamento. Na Unesp, o índice seria de cerca de 90%. "Isso inviabilizaria as três universidades. Nem o Cruesp nem os sindicatos querem isso.""Esperamos que os reitores reconsiderem a proposta que fizeram", disse o presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), Ciro Teixeira Correia, antes da reunião. "Já existe indicativo de greve para o mês que vem, caso não se chegue a um acordo", completou o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), Antônio Luis de Andrade. A expectativa então era de que, durante as negociações, se chegasse a um índice intermediário.Como forma de pressão, cerca de cem grevistas fizeram uma manifestação na frente da sede da Unesp durante a reunião, mas o protesto não chegou a parar o trânsito na Alameda Santos, em São Paulo. A USP não calculou índices de adesão à paralisação hoje e na Unesp, segundo os grevistas, o movimento atingiu quase 100% dos trabalhadores. A última greve nas três universidades estaduais foi no ano 2000, quando, depois de 52 dias parados, funcionários e professores conseguiram mais de 20% de reajuste salarial.

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