Professores da UnB aprovam afastamento de reitor

Decisão de assembléia dos docentes precisa ser referendada; pouco antes, Mulholland anunciou afastamento

10 de abril de 2008 | 18h04

Os professores da Universidade de Brasília (UnB)aprovaram nesta quinta-feira, 10, em assembléia dos docentes o afastamento do reitor Timothy Mulholland, do vice Edgar Mamya e de cinco decanos. Há dois meses, os professores haviam sido contrários ao afastamento do reitor. A decisão ainda terá de ser levada ao Conselho Superior da Universidade para ser referendada.  Veja também Entenda as denúncias contra o reitor da UnBPara estudantes, saída de reitor da UnB é manobraEstudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupaçãoMEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnBJustiça manda estudantes desocuparem reitoria  Pouco antes, Mulholland pediu licença do cargo por 60 dias. Em nota lida para a assembléia da Associação dos Docentes da UnB, ele afirmou que estava tomando a iniciativa "com o objetivo de assegurar os princípios constitucionais da eficiência, publicidade, moralidade, impessoalidade, legalidade e transparência nas apuração dos fatos". Durante o período de afastamento, assumirá o cargo o vice-reitor, Edgar Mamya. Porém, se a decisão dos docentes for referendada, ele também deverá sair.  As denúncias contra o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, surgiram no início de fevereiro, em meio ao escândalo da farra com os cartões corporativos, que resultou na saída da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. A universidade apareceu como líder no ranking de instituições federais em gastos com cartões, e Mulholland teria usado recursos públicos de uma fundação, no total de R$ 470 mil, para mobiliar o apartamento funcional ocupado pelo reitor. Menos de uma semana após a denúncia de desvio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Mulholland deixou o apartamento. Dos R$ 470 mil, ele admitiu ter gasto R$ 350 mil em móveis e utensílios. O reitor chegou a comprar uma lixeira no valor de quase R$ 1 mil. A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal aponta que a Finatec gastou R$ 470 mil para equipar o apartamento de Mulholland. Os estudantes, que ocupam o prédio da reitoria da UnB desde o último dia 3, reivindicam a saída do reitor, acusado de usar verbas da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) para comprar móveis e equipamentos de luxo para seu apartamento funcional. Na última quarta-feira, os alunos negaram o novo termo de compromisso apresentado pela instituição para a desocupação do prédio. De acordo com a Secretaria de Comunicação (Secon) da UnB, os estudantes afirmaram que não desocupariam a reitoria mesmo que Mulholland fosse afastado.  Na terça-feira, 8, o Ministério Público Federal (MPF-DF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entraram com ação de improbidade administrativa contra o reitor. De acordo com a ação, cerca de R$ 470 mil foram gastos para mobiliar e decorar o imóvel. Outros R$ 72 mil foram usados para comprar um automóvel de uso exclusivo do reitor. Todos os gastos foram custeados pela Finatec, fundação de apoio ligada à Fundação Universidade de Brasília (FUB).   

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