Professores da UFRJ retomam as aulas na segunda

Os professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reunidos em assembléia na tarde de hoje, decidiram voltar às aulas na segunda-feira. Assinaram o livro de presença 83 dos 3.400 professores ativos da instituição. A assembléia, na verdade, ratificou a orientação do Comando Nacional de Greve. Os professores da UFRJ decidiram também considerar persona non grata o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e a secretária de Ensino Superior, Maria Helena Guimarães. A greve começou em 22 de agosto.De manhã, cerca de 150 funcionários técnico-administrativos da UFRJ, que iniciaram uma nova greve na quarta-feira, realizaram assembléia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, na Ilha do Fundão, zona norte. As oito unidades hospitalares da UFRJ continuam funcionando, mas em estado de greve. Às 11h30, eles fecharam duas pistas da Linha Vermelha - via expressa que liga a zona sul à Baixada Fluminense - em protesto contra o corte de 26% em seus vencimentos. O percentual se refere a perdas do Plano Verão e é pago desde 1994 por decisão judicial. O protesto durou 20 minutos, provocou engarrafamento, momentos de tensão e terminou com a intervenção da PM."Devemos retornar o mais breve possível à sala de aula, mas não como se nada tivesse acontecido nesses três meses. Vamos discutir com os alunos o replanejamento dos cursos", afirmou o professor José Henrique Sanglard, presidente da Associação dos Docentes da UFRJ (Adufrj). O modo como será feita a reposição das aulas ainda não está definido. Ele ressaltou que a greve não resolveu os grandes problemas da educação no Brasil. "A luta vai ter que continuar. Os problemas pendentes são uma questão de décadas".A coordenadora-geral do sindicato dos técnico-administrativos da UFRJ, Neuza Pinto, disse não acreditar na versão do governo federal, de que o não-pagamento dos 26% deveu-se a um erro operacional. Ela disse que o corte foi resultado de um dossiê encaminhado à Advocacia Geral da União (AGU), em outubro, pelo então procurador-geral da UFRJ, Valério Nunes. "Ele diz que o pagamento é ilegal, mas usa os mesmos argumentos derrotados na Justiça."Na segunda-feira, um ato contra o reitor José Henrique Vilhena será realizado no Auditório Pedro Calmon, no campus da Praia Vermelha, zona sul. Na ocasião, será apresentado um abaixo-assinado endossado por 900 professores, pedindo que o reitor deixe o cargo. Foram convidados para o ato parlamentares, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Os professores prometem apresentar em breve um dossiê, elaborado com a ajuda do Ministério Público, que levantará a suspeita de má-administração de verbas por parte do reitor, que poderá ser acusado de improbidade administrativa.

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