Professores da UFF decidem manter greve

Em assembléia que durou quase quatro horas, com a presença de 184 dos seus 2 100 professores, os docentes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Grande Rio, decidiram-se pela manutenção da greve ? que já dura mais de três meses ? por tempo indeterminado, derrotando a proposta de indicativo para o fim do movimento, ao contrário do que aconteceu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na semana passada.Os professores da UFF aprovaram também a proposta do Comando Nacional de Greve, que deve ser apresentada, nesta terça-feira, em Brasília, aos reitores das universidades federais e a parlamentares.Durante a assembléia, realizada no Auditório Florestan Fernandes da Faculdade de Educação da UFF, os professores ironizaram o ministro Paulo Renato Souza, que pediu habeas-corpus preventivo ao Supremo Tribunal Federal (STF), para não ser punido pelo não-pagamento dos salários dos grevistas, e comemoraram a decisão do Supremo, que manteve válida a determinação do Superior Tribunal de Justiça, obrigando o governo federal a pagar os professores.?A medida indica claramente que é o STJ quem tem competência para julgar. O governo está assumindo seu papel, o de quem burla a lei, e o ministro pede proteção ao Supremo para isso?, afirmou o presidente da Associação dos Docentes da UFF, Marcelo Badaró.?As negociações com o legislativo são um canal para resolver o impasse. Neste momento, o comando mostra que tem disposição para negociar. Até agora, só quem tem sido intransigente é o governo?, disse ele.Uma nova assembléia acontece na próxima quinta-feira. Na UFRJ, onde unidades como a Escola de Comunicação (ECO), a Faculdade de Medicina e o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais prometiam voltar nesta segunda às aulas, a greve continuou.Nesta terça, os professores da UFRJ tem uma nova assembléia, às 13h30, na Ilha do Fundão, zona norte. Vice-presidente da associação dos docentes da UFRJ, a professora Cleusa Santos foi reticente sobre o que espera da reunião desta terça.?É difícil dizer, sinceramente. Será um grande teste, até porque já são três meses de greve?. Para o professor da Escola de Engenharia Antônio Cláudio de Souza, representante docente no Conselho de Ensino e Graduação da UFRJ, o tempo corre contra os grevistas, desde que a unidade se decidiu pelo indicativo de saída da greve.?As aulas devem recomeçar na semana que vem. Como já indicamos pelo fim da greve, não há muito tempo?. Na ECO, estudantes organizaram um café da manhã como forma de protesto contra a possibilidade de a unidade furar a greve. Com biscoito, refrigerante, frios, balões de gás e música, ajudaram a inviabilizar a volta às aulas. No IFCS também houve mobilização, com alunos, professores e carro de som.

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