Professores chamam Serra de ditador em Presidente Prudente

Enquanto discursava, governador era vaiado também por servidores da Saúde; 'Ele não negocia nem paga dissídio'

Sandro Villar, especial para O Estado,

29 Maio 2009 | 19h28

Vaias e protestos de professores e servidores da Saúde marcaram a visita do governador José Serra (PSDB) a Presidente Prudente na tarde de sexta-feira, 29. Enquanto discursava, Serra era vaiado e chamado de ditador por professores e servidores da Saúde. "Ele não negocia nem paga o dissídio dos professores desde 2006. Não repassa nem a inflação acumulada e não discute o reajuste salarial com os professores", acusou Agripino Miguel Costa, conselheiro regional da Apeoesp. Os professores exigem reajuste salarial de 27,5%, enquanto os servidores da Saúde pedem reposição salarial de 47%.

 

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A cada vaia e provocação dos manifestantes, que gritavam "ditador, ditador", o governador ironizava. "Eles são contra a saúde, são contra até os deficientes (referindo-se a projetos que beneficiam deficientes). São de seitas e partidecos. Nós governamos para toda a população de São Paulo. Não somos de trololó", afirmou Serra. A lei antifumo, que entra em vigor em agosto, parece ser, no momento, o assunto predileto do governador. Ele disse que a lei "não é para perseguir os que fumam" e, citando a Organização Mundial da Saúde (OMS), observou que quem fuma "vive 20 anos menos". Chamou de enganosa a propaganda de cigarro e lembrou que sua mulher fumava. "Ela parou por pressão dos filhos", contou.

 

As manifestações de apoio ao governador, no entanto, superaram os protestos. Serra entregou oficialmente o Hospital Regional, que o governo paulista comprou por R$ 74 milhões em duas parcelas. Desde fevereiro, o hospital é administrado por freis franciscanos da Associação Lar São Francisco, que cuida de 34 hospitais no Estado de São Paulo. Ele também recebeu o título de cidadão prudentino, e entregou títulos de lotes para 46 famílias do Assentamento Santa Tereza, em Euclides da Cunha Paulista. No palanque armado no estacionamento do hospital, o governador, ao lado de ao menos 40 prefeitos e vários deputados, anunciou também a entrega de uma UTI com 20 leitos para adultos.

 

Ao discursar para falar das obras que seu governo realiza nas cidades do oeste paulista, como a recuperação de sete estradas vicinais, Serra se esqueceu de citar publicamente o nome do vereador Izaque Silva, presidente da Câmara de Vereadores, e autor da proposta que deu o título de cidadão prudentino ao governador. 

 

Truculência

 

A entrevista coletiva foi tumultuada. A segurança reprimiu os jornalistas com certa dose de truculência. O governador fugiu das perguntas políticas. Ao ser perguntado pelo repórter do Estado se faria dobradinha com Aécio Neves na eleição para a presidência, Serra se irritou. "Pensei que você veio para perguntar sobre o hospital", respondeu. Um segurança agarrou o repórter na frente do governador, que condenou a atitude do rapaz e soltou um sonoro palavrão impublicável. Já sobre os rumores de que Serra teria se submetido a um cateterismo, feito secretamente de madrugada no Hospital Sírio-Libanês, o secretário da Saúde, Luis Roberto Barradas, foi lacônico: "Imagina! Nada disso! É desnecessário".

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