Proer evitou crise no sistema bancário, diz Loyola

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, defendeu, na CPI do Proer, o programa implementado pelo governo em 1995 com o objetivo de evitar uma crise bancária. "Teria sido uma irresponsabilidade não fazer o Proer", disse Loyola. O economista explicou para os parlamentares que o Banco Central não poderia deixar as instituições quebrarem uma a uma para comprovar o risco sistêmico, e só então agir.O ex-presidente do Banco Central foi o primeiro depoente convocado pela CPI do Proer (Programa de Reestruturação e Fortalecimento das Instituições Financeiras Privadas). Ele rebateu as velhas críticas da oposição, de que o programa teve um custo elevado, bancado pelo Tesouro Nacional; beneficiou banqueiros e atropelou a legislação.Para Loyola o BC agiu dentro da lei. "É claro que tínhamos outras opções, entre elas a de simplesmente decretar a liquidação dos bancos, mas achamos que foi a melhor alternativa", disse Loyola. O ex-presidente do BC admitiu que o programa tem um custo, que deverá variar entre 1% e 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Este custo, segundo ele, só será apurado no final, depois que as garantias forem executadas. "O Proer está totalmente coberto pelas garantias exigidas e o Banco Central tem certeza de que receberá de volta os recursos que emprestou", disse.Loyola também discordou do discurso da oposição, de que o Proer beneficiou banqueiros. Ele argumentou que, com ou sem o programa, os banqueiros seriam penalizados por má gestão. Para o ex-presidente do BC, as críticas da oposição ao Proer são de ordem ideológica e política. "Tem gente que defende a estatização do sistema bancário", ponderou.Ele também afirmou que o assunto é bom para ser explorado politicamente, na medida em que os banqueiros são tidos como vilões pela sociedade.Na próxima semana, a CPI do Proer vai ouvir o ex-diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch e o ex-presidente da instituição Gustavo Franco, além do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Reynaldo Gonçalves.

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