Raolin Magalhães
Raolin Magalhães

Produtores rurais cobram ações do governo em Humaitá

Três homens continuam desaparecidos após serem supostamente sequestrados por índios da etnia tenharim

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

28 Dezembro 2013 | 15h17

Entidades ligadas aos produtores rurais divulgaram neste sábado, 28, nota cobrando ações do Ministério da Justiça e da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Humaitá (AM), onde três homens seguem desaparecidos após serem supostamente sequestrados por índios da etnia tenharim. Destacando o "clima de guerra" na região, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) criticaram a forma como o governo federal conduz a questão da demarcação de terras indígenas no País.

"Há tempos, a CNA vem alertando a Nação para as consequências danosas da forma irresponsável e omissa com que o Ministério da Justiça e a Fundação Nacional do Índio (Funai) têm tratado a questão indígena no Brasil. A omissão e os equívocos das autoridades é que têm fomentado o conflito de forma artificial e elevado a tensão a um grau inédito no País", acusa a confederação, presidida pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO).

A tensão na cidade aumentou no dia 16, quando o técnico da Eletrobras Amazonas Energia Aldeney Ribeiro Salvador, o professor Stef Pinheiro e o comerciante Luciano Ferreira Freire desapareceram. A informação no município é que eles teriam sido sequestrados e mortos pelos índios tenharim, que assim vingariam a morte do cacique Ivan Tenharim.

A versão oficial da morte de Ivan Tenharim é que ele sofreu um acidente de moto na Rodovia BR-230. Para os índios, ele foi assassinado por descontentes com a presença dos índios nas cidades e com a cobrança de pedágios para passar pelas terras, nos quais são cobrados valores de 15 a cem reais. Os índios negam a acusação de sequestro. Revoltados com os desaparecimentos, moradores incendiaram a sede da Funai, três carros e um barco.

"A CNA adverte que a revolta que motivou quase 2 mil pessoas a atear fogo na sede da Funai em Humaitá é mais uma prova irrefutável da necessidade de mudanças imediatas na condução da política indigenista, que envolve cidadãos brasileiros, índios e não índios, entre os quais um grande número de produtores rurais", acrescenta a nota.

"Não aceitamos que a Funai se omita neste caso específico da Reserva Indígena Tenharim, onde existem fortes suspeitas de que membros dessa etnia teriam atentado contra a vida de três pessoas inocentes", afirma a Faea, em comunicado. A federação pede ainda a presença da Polícia Federal (PF) e afirma que não aceita a cobrança de pedágio em trecho da Transamazônica, "que tem afrontado, humilhado e provocado insegurança às pessoas que trafegam nesse trecho da rodovia, em flagrante ato inconstitucional contrário ao direito de ir e vir dos brasileiros". "A revolta do povo na região é grande e tememos um conflito generalizado, razão pela qual defendemos a presença efetiva do Estado brasileiro, tanto na reserva indígena, como nos municípios da Transamazônica, hoje em estado de choque pelos últimos acontecimentos", finaliza a Faea.

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