Produtores rurais brasileiros são assassinados na fronteira paraguaia com o Brasil

Operário de máquinas e proprietário de terras foram mortos respectivamente na quinta e na sexta-feira, ambos a tiros

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo,

30 de junho de 2012 | 14h45

BRASÍLIA - Dois produtores rurais brasileiros foram assassinados nos últimos três dias na região paraguaia que faz fronteira com o Brasil. Osni de Oliveira era operário de máquinas na fazenda arrendada pelo brasileiro Toninho Baggio e foi morto na última quinta-feira com um tiro na cabeça em Azotey, no departamento de Concepción, próximo à fronteira com o Mato Grosso do Sul. Tadeu Fratzen foi assassinado com oito tiros na noite de sexta-feira ao sair de um bar na cidade de Santa Maria del Monday, próxima a Ciudad del Este, onde tinha terras.

 

O Itamaraty confirmou a primeira morte, mas no início da tarde de sábado ainda não tinha sido comunicado do assassinato de Fratzen. O setor consular da embaixada em Assunção e o consulado em Ciudad del Este foram acionados e estão acompanhando as investigações, mas por enquanto não há contato entre os governos brasileiro e paraguaio. O estranhamento causado pelo impeachment de Fernando Lugo e a subsequente suspensão do Paraguai do Mercosul congelou as relações entre os dois governos e não houve nenhum tipo de conversa entre as chancelarias dos dois países.

 

O Itamaraty, no entanto, informa que acompanha o caso para ver se os assassinatos são crimes comuns ou tem alguma relação com o fato dos mortos serem os chamados "brasiguaios", brasileiros donos de terras no Paraguai ou trabalhadores dessas terras.

De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, o governo do País acusa o Exército do Povo Paraguaio (EPP) de ser responsável pelo primeiro caso, na morte de Osni de Oliveira. O grupo teria entrado na fazenda, prendido três trabalhadores e posto fogo em algumas máquinas agrícolas. Antes de irem embora, mataram Osni.

 

Já Fratzen foi abordado por dois homens em uma moto sem placas ao sair de um bar e ir em direção ao seu carro, segundo relatos do jornal ABC Color. Levou oito tiros e morreu na hora. A polícia paraguaia não tem pistas de quem são os homens, mas acredita ser um caso de execução, já que nada foi roubado.

 

A violência no campo no Paraguai vem aumentando nos últimos anos, especialmente depois das dificuldades encontradas por Fernando Lugo para fazer a reforma agrária que prometeu em sua campanha para presidente diante da enorme resistência dos donos de terras. A morte de 17 pessoas - 6 policiais e 11 agricultores sem-terra - há pouco mais de duas semanas na desocupação de uma fazenda invadida - piorou ainda mais o quadro e serviu de argumento para a deposição de Lugo. O Congresso, tomado pelos partidos de oposição, acusou o presidente de não cumprir com suas obrigações e ser responsável pelas mortes.

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