Produtores queimam caminhão da Funasa em Alto da Boa Vista (MT)

Veículo foi roubado e incendiado ao tentar passar em Posto da Mata, onde se concentra um foco de resistência à desocupação da Terra Indígena Marãiwatsédé

Fátima Lessa, Especial para o Estado

29 de dezembro de 2012 | 13h23

Cuiabá - Um caminhão da Funasa foi roubado e incendiado na manhã deste sábado, 29, ao tentar passar em Posto da Mata em Alto da Boa Vista, 1.064 quilômetros de Cuiabá. Posto da Mata é onde se concentra um foco de resistência à desocupação da Terra Indígena Marãiwatsédé.

De acordo com informações da Fundação nacional do Índio (Funai) o caminhão estava cedido para a Sesai, e transportava cestas básicas para uma aldeia de Mato Grosso. Durante o período de festa, os trabalhos da força-tarefa do governo federal para desocupação da Terra Indígena Marãiwatsédé, no estado de Mato Grosso, seguem sem interrupção.

Ainda de acordo com a FUNAI “supostas lideranças reunidas nesse local têm estimulado agressões ao processo e ao direito das pessoas de deixarem a área”. A Polícia confirma que “constrangimentos às famílias que desejam retirar seus pertences, com ameaças de que seus caminhões de mudança serão queimados e que suas casas serão entregues para o pessoal sem-terra”, informou o órgão em nota oficial.

Foram registradas ainda tentativas de proibir essas famílias de desmanchar os telhados de suas casas e de recolher seus pertences para reconstruir suas moradias em outro local. Essas “lideranças” tentam impedir as pessoas que querem se retirar da área de circular na direção de Alto Boa Vista e promovem sucessivos bloqueios na BR 158 e da MT-240, que liga Água Boa a Nova Nazaré, desacatando a ordem judicial.

No Posto da Mata já foram identificados pelos órgãos policiais pessoas com histórico de prisão por homicídio, assalto a bancos, tráfico de drogas, sequestro e assalto a mão armada. A Justiça e o Ministério Público, em conjunto com a força-tarefa do governo federal, já manifestaram a determinação de enfrentar com firmeza aqueles que tentarem colocar obstáculos ao cumprimento da ordem judicial.

Entre os dias 20 e 27 foram vistoriadas mais 30 fazendas, sendo 16 desocupadas, apesar de locais de difícil acesso, alguns com necessidade de utilização de aeronaves para o cumprimento dos mandados. Desde o início da operação até sexta-feira, 28, foram cadastradas 201 famílias para análise de perfil com vistas ao reassentamento em programas da reforma agrária. Foram consideradas aptas, até o momento, 92 famílias.

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