Produtores insistem no fim da taxação do etanol pelos EUA

O presidente na União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, afirmou nesta sexta-feira, 9, na sede da Petrobras, em Guarulhos, que é fundamental acabar com a sobretaxa imposta pelos EUA ao etanol brasileiro. De acordo com ele, no entanto, uma decisão sobre o assunto "não vai sair agora".Ao comentar o memorando assinado na manhã desta sexta-feira, que prevê a colaboração entre Brasil e EUA na área de biocombustíveis, Carvalho destacou que "essa taxação não tem sentido, tem que existir vontade política para mudar o quadro e acho que a discussão deste tema já é uma vitória para o setor".De acordo com Carvalho, "é certo" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedirá ao seu colega americano, George W. Bush, a redução das taxas impostas sobre o etanol exportado pelo País. "Lula não vai abrir mão disso", disse o presidente da Unica. Para ele, mesmo que não haja um acordo imediato sobre as tarifas impostas pelos EUA, o encontro com Bush "já dá visibilidade ao etanol brasileiro em todo o mundo". Carvalho disse que "os EUA precisam atingir 130 bilhões de litros de etanol em 2017, que é a meta estipulada por Bush para trocar 20% do petróleo comercializado no país em dez anos". "O etanol brasileiro será fundamental pra isso", concluiu, citando que, sem a derrubada das tarifas, os EUA não alcançarão sua meta.Setor automotivoTambém presente ao evento, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogério Goldfarb, destacou que a indústria automobilística brasileira está muito bem preparada para encarar os desafios de ampliação da diversidade de combustíveis.A previsão, segundo ele, é de que, em 2013, 50% da frota brasileira seja composta por veículos bicombustíveis. "Dos 30 milhões de automóveis previstos para 2013, 15 milhões serão bicombustíveis."Golfarb destacou, também, que a visita do presidente Bush, aliada à meta dos EUA de reduzir 20% de utilização de gasolina nos próximos dez anos, deverá definir a demanda futura para o etanol no mundo. "O Brasil inicia este processo na liderança e precisamos continuar líderes nesse segmento", afirmou.SinalizaçãoO ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que também participa do evento, disse esperar que haja sinalização dos EUA com relação à extinção das sobretaxas impostas ao etanol brasileiro. "Esta é uma tarifa proibitiva e politicamente deve haver um sinal claro de seu fim", defendeu.Rodrigues disse que encaminhou ao governo uma proposta para que as tarifas impostas pelos americanos sejam transformadas em aplicações na área de pesquisa no próprio Brasil. "Eu propus que as tarifas retornem ao Brasil para investimentos na área de ciência e tecnologia do etanol", disse. "Esse processo seria adotado até a extinção total das taxas".Segundo ele, os produtores de milho norte-americanos não deveriam ficar tão preocupados com a entrada do etanol brasileiro em seu mercado. "Não temos etanol suficiente, neste momento, para invadir o mercado dos EUA", afirmou.

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