Produtor pediu patrocínio até a Chávez

Venezuela pode financiar distribuição de obra nos países do Pacto Andino

Julia Duailibi e Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi procurado pelos produtores de Lula, O Filho do Brasil para o País bancar parte do filme. As negociações não andaram, mas a Venezuela pode ainda financiar a distribuição para integrantes do Pacto Andino (Colômbia, Bolívia, Peru, Equador e a própria Venezuela, que suspendeu sua participação no bloco). "Está em banho-maria", disse a produtora Paula Barreto. No final do ano passado, Luiz Carlos Barreto, o Barretão, dono da produtora LC Barreto e pai de Paula, participou de um festival de filmes brasileiros na Venezuela. Por intermédio de diplomatas, conseguiu uma audiência com Chávez, que acabou acontecendo num helicóptero, com o escritor Fernando Morais. "Eles compraram Pelé Eterno e estavam tentando comprar outros filmes brasileiros. Falei: ?Pô, nada melhor que o Lula. Vou vender o Lula.? Fui lá, passei um final de semana, andei com Chávez de helicóptero, com medo de um foguete americano derrubá-lo", conta Barretão. Segundo o cineasta, a Amazonia Films, empresa do governo venezuelano que atua na distribuição, ofereceu pouco dinheiro. Cerca de US$ 50 mil. Questionado sobre o fato de empresas doarem para o filme de Lula e terem interesse em atos do governo, Barretão afirmou: "Desde o Império que os empreiteiros e tudo operam com o Estado. Não é por causa do filme. Se pensar assim, você fica imóvel." Completou: "Se quer tirar vantagem é problema dele e de quem ele vai procurar para tirar vantagem".Segundo Barretão, "o filme vai ter sucesso, vai ter visibilidade popular". "Essa é atração do filme. Vai tirar o que do Lula? Vai dizer: ?Ah, eu patrocinei o seu filme, presidente, dá uma boquinha aí para mim??" Barretão contou que, para vender o longa a empresas, diz o seguinte: "Falo que estou fazendo esse filme, que terá tantos milhões (de espectadores). ?Você quer associar a sua marca??" O longa é "um bom negócio", diz Barretão. O objetivo é que, além de passar na TV e se transformar em DVD, o filme vire minissérie. Questionados sobre a época de lançamento, próxima da eleição, Paula disse: "As decisões de lançamento são comerciais. A melhor data é janeiro." Barretão resolveu não captar por meio de leis porque "não caía bem". "O incentivo fiscal é tão burocrático, tão penoso. Estamos sentido alívio tão grande." Paula completou: "Se Deus quiser, o Lula vai ser um sucesso e nós vamos modificar o modo de investimento em cinema. Não vamos mais usar incentivo. "

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