Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Procuradoria volta a pedir prisão de ex-primeira-dama do Rio

MPF recorreu nesta sexta-feira, 18, da decisão de juiz da 7.ª Vara Federal Criminal que negou a solicitação e apenas determinou a condução coercitiva da advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB)

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2016 | 22h45

RIO - Investigada por suspeita de praticar lavagem de dinheiro e conduzida coercitivamente para prestar depoimento na última quinta-feira, 17, a advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), ainda corre o risco de ser presa. O Ministério Público Federal havia pedido ao juiz Marcelo Brêtas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, a prisão temporária de Adriana. O juiz negou o pedido e determinou a condução coercitiva. Na quinta-feira, mesmo dia em que Cabral foi preso, Adriana foi levada à Polícia Federal, prestou depoimento e foi liberada.

O MPF recorreu da decisão de Brêtas e impetrou nesta sexta-feira, 18, novo pedido ao Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2). O desembargador Abel Gomes, relator do recurso, negou o pedido de liminar, mas vai submeter o recurso à 1.ª Turma Especializada da corte. 

A advogada é investigada por suposta lavagem de dinheiro. Outra suspeita sobre Adriana se refere a contratos firmados pelo escritório de advocacia da qual ela é uma das donas com empresas que prestavam serviço ao Estado durante a gestão de Cabral. Segundo a investigação, o escritório recebeu cerca de R$ 17 milhões em contratos com empresas que prestam serviços públicos.

Essa ligação do escritório de Adriana foi revelada pelo Estado em 2010. Na ocasião, o jornal contou que, um mês depois de ter seu contrato como concessionário estendido até 2038, o Metrô Rio era representado em ação coletiva pelo escritório da então primeira-dama. Na ocasião, o Metrô Rio afirmou que o escritório de Adriana Ancelmo era um entre os 20 que prestavam assistência jurídica à concessionária.

A reportagem revelou ainda que Adriana representava em 28 processos o grupo Facility, uma das principais empresas fornecedoras do Estado. Na ocasião, o grupo empresarial afirmou que seu contrato com o escritório de advocacia foi firmado antes de Cabral.

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