Procuradoria quer cassar candidatura de Cabral e mais 3

A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro quer cassar o registro da candidatura (ou eventualmente o diploma de eleito) do governador Sérgio Cabral, que tenta a reeleição, e do presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, que disputa vaga do Senado, ambos do PMDB. Na mesma ação estão o deputado federal Leonardo Picciani, do mesmo partido do pai, e o deputado estadual Altineu Corte (PR), ambos candidatos à reeleição.

MARCELO AULER, Agência Estado

31 de agosto de 2010 | 18h24

Eles são responsabilizados pelo fato de o prefeito Joelson Soares (PDT), da cidade de Italva, no norte do Estado, e o seu secretário de Saúde, Gilberto Willys de Faria, terem reunido no dia 4 de agosto 70 servidores contratados para pedir voto e empenho na campanha dos quatro candidatos. Uma fita com a gravação da reunião chegou no Ministério Público (MP) da cidade.

Por meio de nota, Cabral eximiu-se de responsabilidade dizendo desconhecer a reunião e que na "data citada esteve em agendas de campanha que não tiveram qualquer relação com o dito evento". O mesmo argumento foi usado no comunicado dos Picciani, pai e filho. Corte não respondeu às ligações da reportagem.

Segundo a procuradora regional eleitoral Silvana Batini, a Lei 9504/97 - que estabelece normas para eleições -, além de punir com multa e inelegibilidade os agentes públicos autores do crime eleitoral, prevê que o candidato beneficiado fique sujeito à cassação do registro ou do diploma independentemente de estar presente ao evento.

Cobrança

O prefeito relacionou obras feitas com recursos enviados pelo governador e por interferência do presidente da Assembleia Legislativa. Explicou que o dinheiro vem em parcela e pode parar em caso de imprevisto.

"Essas obras são financiadas em 10 vezes. Governador começa a pagar a primeira parcela, segunda, terceira, vai lá que haja aí um desastre, que o governador não tenha uma votação expressiva em Italva. ''Italva não correspondeu ao que eu queria, não vou repassar dinheiro mais não, deixa a prefeitura se virar''. Pode acontecer, não estou fazendo chantagem com vocês não", disse o prefeito.

Segundo ele, Cabral lhe cobrou: "Prefeito, eu quero ter uma votação expressiva no município de Italva." Soares prometeu 80% dos votos dos cerca de 12 mil eleitores da cidade.

O prefeito incentivou servidores a cederem espaço nas casas e carros para a colocação de placas e adesivos dos candidatos. Segundo ele, a cidade tem que ter "no mínimo umas 400 a 500 placas", além de "300 a 400 carros com adesivo para gente provar que realmente a gente está trabalhando para aquele candidato".

Posição pessoal

Em nota, o prefeito alegou que "gozando de seus direitos políticos, legitimados pela Constituição a qualquer cidadão, reuniu-se com correligionários de diversos setores da sociedade italvense". Disse ter exposto sua "posição política pessoal, porém, em nenhum momento houve ameaças a alguns servidores para que votassem em um ou outro candidato".

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