Procuradoria pede cassação do mandato de Mauro Bragato

Deputado na Assembléia de SP, segundo reportagem do Estado, teria doado para campanha valor superior a bens

30 de julho de 2007 | 17h18

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP), órgão do Ministério Público Federal, entrou com uma representação na Justiça Eleitoral nesta segunda-feira, 30, contra o deputado estadual e líder do PSDB, Mauro Bragato, em razão de irregularidades na arrecadação de sua campanha à reeleição, em 2006.  Devido a denúncias que recaem sobre Bragato, o tucano pediu afastamento da liderança do PSDB na última quarta-feira e será substituído pela deputada Maria Lucia Amary. A representação partiu de denúncias publicadas no Estado no início deste mês. Segundo a reportagem,  Bragato teria doado R$ 40 mil para a própria campanha, soma maior que o valor total de seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. A lista de bens apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral é bem mais modesta: R$ 6.540,00. A diferença chega a 551%. O deputado atribui o valor a um empréstimo pessoal. A procuradoria eleitoral pede que a Justiça casse o diploma de Bragato e que os fatos sejam apurados com o acesso aos dados bancários e fiscais do deputado. A campanha do deputado custou R$ 416 mil. Acusações Líder do PSDB na Assembléia Legislativa, ele é suspeito de receber, entre 2003 e 2005, R$ 104 mil em propina da FT Construções, empresa-mãe da quadrilha acusada de fraudar licitações e superfaturar as obras de casas populares na região de Presidente Prudente, reduto eleitoral do deputado.  De 2003 a 2004, Bragato foi secretário-adjunto e titular da Secretaria de Estado da Habitação, à qual a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) é subordinada, que liberava os recursos para os empreendimentos. Em janeiro de 2005, Bragato assumiu uma cadeira no Legislativo. Há registros de supostos pagamentos de propina até junho daquele ano. O deputado, segundo a polícia e o Ministério Público, aparece na contabilidade da propina da máfia. No livro-caixa da empreiteira, apreendido na operação, foram encontrados vários registros "QLN MBR". A sigla QLN seria um código para propina e significaria Quanto Levo Nisso. MBR seriam as iniciais do nome do deputado.  Em depoimento, um ex-funcionário da empresa, Edson Meneses, afirmou que levou envelopes com dinheiro ao escritório político de Bragato em Presidente Prudente. Bragato nega e atribui as denúncias a adversários políticos.(Colaborou Silvia Amorim, do Estadão)  

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