Procuradoria-Geral da República pede explicações a Palocci

Após receber representações de partidos da oposição, a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou nesta sexta-feira um pedido formal de explicações ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre seu suposto aumento patrimonial.

REUTERS

20 de maio de 2011 | 19h35

Palocci tem 15 dias para prestar os esclarecimentos pedidos pelo procurador-geral Roberto Gurgel, que se baseou nas representações de PSDB, DEM, PPS e PSOL, de acordo com a assessoria da PGR.

Nos pedidos de investigação, a oposição cita reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo no último domingo afirmando que o patrimônio do ministro teria crescido 20 vezes desde 2006, depois que Palocci fundou a consultoria Projeto, que atendia clientes na área econômico-financeira.

O PSDB anunciou nesta sexta que tentará abrir uma CPI mista no Congresso para investigar o ministro.

Palocci afirmou, em notas divulgadas no domingo e na segunda-feira, que seu aumento patrimonial está detalhado na declaração de Imposto de Renda e que a Projeto prestou serviços a clientes da iniciativa privada "tendo recolhido sobre a remuneração todos os tributos devidos".

Nas representações, os partidos de oposição também pedem que a PGR investigue quem são os clientes da Projeto e qual seu faturamento.

Palocci já planejava enviar esclarecimentos adicionais ao procurador-geral, segundo disse à Reuters uma fonte do Palácio do Planalto que falou sob a condição de anonimato. Agora, o ministro tem um prazo legal para se explicar.

Em nota, a Projeto disse nesta sexta-feira que não confirma que tenha faturado 20 milhões de reais em 2010, como noticiou a Folha de S. Paulo, e explicou o motivo para ter obtido ganhos maiores do que no ano passado.

"O faturamento da empresa foi maior em 2010, seu último ano de operação como consultoria, por duas razões: o natural crescimento do volume de contratos ano a ano e as negociações decorrentes do fim de suas atividades de consultoria, que implicaram quitação antecipada pelos serviços prestados após acordo com os clientes", disse a nota. Depois que Palocci foi chamado para ser ministro, a Projeto deixou de ser uma empresa de consultoria e passou a ser administradora de imóveis.

A empresa também afirmou que não pode divulgar detalhes de seus contratos e nem o nome dos clientes que a contrataram devido a uma cláusula de confidencialidade entre as partes.

A divulgação da lista de clientes é uma das reivindicações da oposição no Congresso. Os parlamentares querem saber se as empresas que contrataram a Projeto tiveram alguma vantagem no governo, o que poderia configurar a prática de tráfico de influência.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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