Procuradoria espera conseguir documentos sobre Maluf

Por causa da acusação de que o pré-candidato a governador Paulo Maluf (PPB) teria transferido recursos para as Ilhas Jersey, o Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo e a Procuradoria da República esperam que o governo da Suíça abra o dossiê com informações sobre a suposta conta dele no Citibank de Genebra, entre 1985 e 1997 - data em que teria deslocado as verbas para paraíso fiscal.Hoje, o Brasil entregou ao governo da Suíça documentos com informações complementares sobre Maluf.Uma missão brasileira, composta por dois procuradores federais e um promotor de Justiça da Cidadania de São Paulo, fez uma peregrinação entre Berna e Genebra para esclarecer as investigações sobre o pré-candidato do PPB e pedir a liberação de dados. O esforço pode ter sido inútil - os procuradores retornam sexta-feira, sem cópias de documentos.Maluf classificou a viagem de "jogo sujo e mentiroso, uma ação política e sem credibilidade". "A viagem frustrada de procuradores estaduais e federais à Suíça nada mais é do que outra pirotecnia para continuar sustentando a mentira que eles mesmos produziram e que, depois de oito meses, não conseguiram provar: não tenho conta bancária no exterior", disse. Ele afirmou que os procuradores entregaram às autoridades suíças "documentos mentirosos e forjados".Para Maluf, a viagem tem um agravante porque foi "paga com dinheiro dos cofres públicos, o que caracteriza ato de improbidade administrativa, que envolve e compromete diretamente o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP); a viagem foi custeada pelo Tesouro do Estado". O pré-candidato do PPB a governador sustenta que "a mesma velocidade de investigação não existe para encontrar os eventuais crimes que teriam sido praticados por Alckmin no superfaturamento de 80% nas obras do Rodoanel".O grupo de procuradores foi à Suíça munido de cópias de ações judiciais abertas no Brasil contra Maluf, por suspeita de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. No início do ano, a Justiça do Estado enviou uma carta rogatória pedindo a cooperação do governo suíço para identificar a origem, volume e destino do dinheiro de Maluf. Diante da falta de informações sobre as acusações envolvendo o pré-candidato do PPB, Berna recusou o pedido e solicitou novos dados. "Obter os fatos e as ofensas contra o suspeito é uma das fases mais importantes do processo; vamos analisar as novas informações que nos foram passadas pelo Brasil para saber se poderemos cooperar", afirmou o porta-voz do Departamento de Justiça da Suíça, Folco Galli.Além das informações suplementares às autoridades de Berna, os procuradores entregaram um pedido de cooperação penal internacional à Suíça. Em Genebra, a comissão brasileira reuniu-se com o juiz de instrução Claude Wenger. Durante mais de duas horas, os procuradores explicaram detalhes das investigações. "Viemos para tentar esclarecer os fatos", afirmou o procurador Pedro Barbosa Pereira Neto.Os suíços não entendem a existência de dois processos correndo, simultaneamente, contra Maluf, um na esfera federal e outro na estadual. O resultado das duas ações é a existência também de duas solicitações diferentes de cooperação feitas ao governo suíço. "Normalmente, apenas um orgão de um governo estrangeiro faz o pedido de cooperação", explica uma funcionária do Departamento de Justiça. A explicação do Brasil foi de que assuntos civis envolvendo um ex-administrador público municipal por suspeita de falta de probidade e enriquecimento ilícito são de responsabilidade do MPE, enquanto os aspectos penais (suposta evasão de divisas e sonegação) cabem ao Ministério Público Federal (MPF).O procurador-geral da Prefeitura de São Paulo, César Antônio Alves Cordaro, disse que pedirá à Advocacia-Geral da União (AGU) que forneça "os elementos disponíveis" sobre o caso Jersey. "Vamos analisar para ver se é caso para a Prefeitura ingressar na ação", afirmou. A AGU considera que, "em tese, está em jogo o patrimônio público municipal".

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