Procuradoria denuncia prefeito de Praia Grande por quadrilha e compra de votos

Segundo a acusação, cada eleitor recebia R$ 50 para votar em Roberto Francisco (PSDB)

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo,

02 de maio de 2012 | 21h00

SÃO PAULO - A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP) denunciou o prefeito de Praia Grande (SP), Roberto Francisco dos Santos (PSDB), pela suposta prática dos crimes de formação de quadrilha e compra de votos. Outras seis pessoas foram denunciadas.

Segundo a acusação, subscrita pelo procurador regional eleitoral Pedro Barbosa Pereira Neto e pelo procurador regional eleitoral substituto André de Carvalho Ramos, durante as eleições municipais de 2008 uma quadrilha foi constituída “com o objetivo de comprar votos de eleitores visando beneficiar o então candidato a prefeito Roberto Francisco e o candidato a vereador André Yamauti”.

A compra de votos, aponta a Procuradoria Regional Eleitoral, ocorreu “mediante a contratação de coordenadores de campanha que tinham a incumbência de corromper eleitores em favor dos dois candidatos mencionados”.

Os coordenadores recebiam cerca de R$ 300 para arregimentar os eleitores. Cada eleitor recebia R$ 50, “mediante o compromisso de votar nos candidatos Roberto Francisco (prefeito) e André Yamauti (vereador)”.

Segundo a Procuradoria, André Yamauti “narrou, com riqueza de detalhes, reunião ocorrida na sede do partido, pouco antes das eleições, quando houve a entrega de cerca de R$ 150 mil para financiar o esquema de compra de eleitores”.

A Procuradoria requereu para alguns investigados a aplicação dos benefícios da delação premiada, "caso venham a colaborar com a instrução criminal".

A pena do delito de corrupção eleitoral pode chegar até a quatro anos de reclusão. O crime de formação de quadrilha pode ser punido com um a três anos de prisão.

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, defende o prefeito de Praia Grande. “Não há nenhum elemento nos autos que possa confirmar essa denúncia”, reagiu D’Urso. "O que houve é que um candidato a vereador, preso em flagrante negociando e comprando votos, começou a fazer acusações e aí surgiu o nome do prefeito de Praia Grande", avalia D’Urso. "Posso afirmar rigorosamente que não há nenhum dado nos autos de toda a investigação que possa dar suporte a essa denúncia. Isso vai ficar bem esclarecido."

André Yamauti, outro denunciado, não foi localizado para falar sobre as acusações.

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