Procuradoria da República do DF recebe denúncia contra assessor de Sarney

Denunciante acusa servidor de cometer peculato ao tentar negociar edição de coleção do Senado; Joaquim Campelo afirma que o senador desconhe a negociação e que vai 'corrigir' o problema

Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 14h57

Brasília - Assessor do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o vice-presidente do conselho editorial da Casa, Joaquim Campelo, é alvo de uma queixa-crime protocolada na Procuradoria da República do Distrito Federal. A denúncia encaminhada ao promotor Vinícius Alves Fermino, do 4º oficial criminal, acusa o servidor de cometer peculato, ao negociar a título oneroso ou gratuito um bem público. O denunciante, que não se identificou, refere-se à doação à editora portuguesa Leya do projeto gráfico, formatação e digitação da obra História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux, pertencente ao Senado. Os livros caíram em domínio público porque Carpeaux não deixou herdeiro. Já os custos da edição foram pagos com dinheiro público e,como tal, não poderiam ser cedidos a terceiro.

 

Joaquim Campelo disse ao Estado que Sarney não sabia da negociação com a editora e que responderá sozinho pelo denúncia. "É responsabilidade minha, a gente corrige isso, qual é o problema?", afirmou.

 

O denunciante anexa à denúncia reportagens sobre a transação com a editora que publicou no ano passado a biografia de Sarney, presidente do conselho editorial, e que este ano iria publicar o seu livro de memórias.

 

Campelo é acusado também de agir em proveito próprio, em troca da publicação de um suposto dicionário da língua portuguesa que levaria seu nome. Ou seja, o "Dicionário Campelo". O diretor editorial da editora Leya, Pascoal Soto, não retornou as ligações da Agência Estado. Já à revista Época, ele afirmou que examina "a possibilidade de publicar o dicionário de autoria de Campelo".

 

Campelo nega a feitura do dicionário. Ele afirma que sua equipe tem se dedicado, sim, a preparar "uma pequena enciclopédia". "Não tem nada disso (dicionário), o galo canta e não se sabe aonde é. A enciclopédia é do Senado e sairá com a lista de seus colaboradores", reagiu. Mas a informação no conselho editorial é outra: duas equipes atuam no órgão executando tarefas diferentes, sendo que uma cuida do dicionário e outra da enciclopédia. "A enciclopédia vai ter o Pedro I, Pedro II, o Casimiro de Abreu, será histórica e geográfica brasileira, vai ter Santo Antonio das Antas lá na caixa prego, que é lugar incerto e não sabido", afirmou.

 

O Conselho Editorial é um dos citados entre os contemplados pelos desmandos administrativos do Senado, na série publicada em 2009 pelo Estado de S. Paulo, como cabide de emprego de amigos, filhos de amigos e apadrinhados de Sarney. Foi criado na primeira gestão do senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, tendo entre outras atribuições, a de preencher a lacuna na bibliografia brasileira, publicando obras inéditas. O que ocorre, porém, após 15 anos de atividade, é que o órgão se tornou uma caixa preta para acomodar amigos e apadrinhados e para atender a interesses pessoais de seus dirigentes.

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