Procuradoria acusa religiosos de preconceito

Dois pastores da Igreja Batista, dois adeptos da seita evangélica Assembléia de Deus e um padre católico foram denunciados à Justiça por preconceito e discriminação pela Promotoria de Justiça e Cidadania do Ministério Público Estadual. Os cinco são acusados pelo promotor Lidivaldo Brito de discriminar, incitar e induzir ao preconceito os adeptos das religiões de origem africana, Candomblé e Umbanda, praticadas pela maioria dos moradores da capital baiana.Na visão do promotor Brito, os ataques contra o Candomblé revelam no fundo racismo, pois a religião afro é a mais aceita pela raça negra, cujos indivíduos representam mais de 80% da população de Salvador. Para provar sua tese, o promotor obteve vídeos de vários programas evangélicos, além de recortes de matérias de jornais, onde os acusados expõem sua intolerância religiosa. Estão envolvidos no processo o padre católico Pierre Ghislain Joseph Mathon, da Paróquia do Lobato, subúrbio ferroviário de Salvador, os pastores da Igreja Batista do Caminho das Árvores Átila Brandão e José Carlos Oliveira da Silva, além dos adeptos da Assembléia de Deus Eliane Bezerra Araújo e André Luiz Barbosa Moura. Mathon deu declarações a jornais de Salvador associando a presença do diabo aos ritos do Candomblé. Os pastores Brandão e Silva fizeram acusações semelhantes às religiões afro através do programa "Portal da Esperança", transmitido pela TV Aratu (SBT). Os integrantes da Assembléia de Deus Eliane Araújo e André Moura invadiram o terreiro Axé Abassá de Ogun, situado no Bairro de Itapuã, gritando impropérios contra o candomblé e pregando a destruição do local.

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