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Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Procuradores vão a Londres colher depoimento de delator no caso da Petrobrás

Ex-diretor da SBM, Jonathan Taylor, indicou à comissão que a empresa pode ter pago mais de US$ 92 milhões em propina em troca de contratos com a estatal entre 2003 e 2011

Jamil Chade, Correspondente  na Suíça, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 09h52

LAUSANNE - Os procuradores da República do Ministério Público no Rio de Janeiro, Renato de Oliveira e Leonardo Freitas, viajam para Londres para colher o depoimento do ex-diretor da empresa SBM Jonathan Taylor. 

Na CPI da Petrobrás, o britânico que trabalhou por nove anos na SBM, indicou que a empresa pode ter feito pagamentos de mais de US$ 92 milhões em propina em troca de contratos com a estatal entre 2003 e 2011.

Ele ainda citou que as comissões recebidas por Julio Faerman, representante da SBM no Brasil, atingiram US$ 193 milhões. Mas dois terços seriam destinados ao pagamento de propinas.

 

Ao Estado, Freitas explicou o motivo da viagem, que ocorre ainda hoje: "Nosso objetivo é tirar algumas dúvidas, esclarecer alguns fatos e fixar algumas questões de tudo o que ele já disse para nossas investigações", declarou. 

Ontem e hoje, os procuradores estiveram na Suíça para negociar com o Ministério Público local o envio de cerca de US$ 54 milhões aos cofres públicos do País. 

O dinheiro congelado nas contas suíças é de Faerman. O empresário fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal em maio e, pelo entendimento, deu seu sinal verde para a recuperação do dinheiro fruto da propina e que está depositado na Suíça.

Ontem, em Lausanne, uma equipe de procuradores iniciou negociações para recuperar o dinheiro e acredita que os valores poderão estar nos cofres públicos em “poucos meses”. Ao Estado, a assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da Suíça confirmou a negociação. “Confirmamos o encontro entre o MP e procuradores brasileiros para falar sobre a repatriação de alguns ativos sequestrados na Suíça no caso da Petrobrás“, disse.

Os suíços também sinalizaram que estão dispostos a cooperar e enviar o dinheiro, uma vez que as questões técnicas e legais tenham sido resolvidas. 

Entre os detalhes que ainda estão pendentes para a liberação está o valor exato do dinheiro da propina. As investigações apontaram que existe uma parte do dinheiro que não seria fruto da corrupção, o que deve permanecer nas contas do empresário. Ainda assim, o MP estima que a maior parte dos US$ 54 milhões deve ir para os cofres públicos nacionais.  

Se no Brasil Faerman se beneficiará do acordo de delação premiada, na Suíça ele continuará sendo investigado. Ontem, o Ministério Público em Lausanne indicou que vai convocá-lo a depor na Suíça. Ele é suspeito de ter cometido crimes de lavagem de dinheiro usando o sistema financeiro local. 

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