Procuradores rastreiam dinheiro da Sudam

Os Procuradores da República esperam concluir até o final deste mês o rastreamento de recursos enviados para as Antilhas Holandesas por uma empresa financiada pela extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).A empresa pertence a José Osmar Borges. Acusado de diversas fraudes na Sudam, Borges é ex-sócio de Márcia Cristina Centeno, mulher do ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), de quem o empresário também é amigo.Suspeita-se de que o dinheiro seja proveniente de financiamentos públicos. Os recursos foram depositados numa empresa offshore, aberta naquele paraíso fiscal. O dinheiro foi enviado pelo Moinho Santo Antônio, um dos seis projetos pertencentes a José Osmar Borges que receberam dinheiro público.O empresário é acusado de ter desviado pelo menos R$ 130 milhões. Integrantes do Ministério Público Federal não confirmam, ainda, que as remessas tenham ligação com Jader. ?Precisamos terminar o rastreamento e prosseguir com as investigações?, observa um dos procuradores envolvidos no caso.O senador e José Osmar Borges, segundo informações obtidas com a quebra de sigilo telefônico do empresário, trocaram centenas de telefonemas, sendo que 131 deles foi da residência de Jader em Brasília, para o escritório de Borges em Cuiabá.Além disso, o sigilo bancário do empresário revelou um depósito de R$ 400 mil para o jornal Diário do Pará, da família Barbalho.O Ministério Público Federal está organizando força-tarefa para concluir em tempo recorde a apuração das fraudes na Sudam. O principal alvo das investigações, que contam com apoio do Banco Central, Advocacia-Geral da União (AGU) e Tribunal de Contas da União (TCU), será o ex-presidente do Senado, que deixou a condição de simples suspeito para se tornar um dos envolvidos nas irregularidades, segundo avaliação do MPF.As investigações em torno da Sudam estavam espalhadas por Mato Grosso, Pará, Tocantins, Maranhão e Amazonas, mas agora serão concentradas em apenas um destes Estados. As investigações, contudo, serão feitas por todos os procuradores.Segundo análise dos integrantes do Ministério Público Federal, no início da semana, numa reunião fechada no interior de Goiás, é necessário traçar novas estratégias para evitar que os punidos pelas fraudes na Sudam venham a ser apenas pequenos empresários ou laranjas.Um dos pontos de partida será o resultado da quebra de sigilo de 50 funcionários da Sudam e de um grupo de pessoas que serviam como operadores do sistema de fraudes, descoberto há três anos pelo procurador da República em Mato Grosso, José Pedro Taques, mas desbaratado somente em abril deste ano.?Vamos saber de quem eles recebiam dinheiro e se o repassavam para outras pessoas?, explica um dos investigadores.?Neste momento é necessário trabalhar de forma cautelosa e sempre analisando a realidade atual?, afirma o procurador da República no Pará, Ubiratan Cazeta, negando que o objetivo seja unicamente Jader. ?Estamos nos aprofundando nas investigações, não importa de quem.?

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