Procuradores concluem que fraude beneficiou Jader

Procuradores da República que trabalham na apuração dos desvios de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará) concluíram que o presidente licenciado do Senado, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), e mais 48 pessoas foram beneficiados com R$ 39,2 milhões (valor sem correções) em depósitos feitos no Banco Itaú, no Rio de Janeiro, entre 1983 e 1987. Entre os que se beneficiaram dos rendimentos, além do senador, estão também sua ex-mulher, a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), outros familiares de Jader e empresas que trabalhavam para o Estado, no mesmo período.O resultado final da investigação, feita por procuradores da 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio Público, deverá ser apresentado amanhã ao procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, por meio de uma nota técnica de 40 páginas. O documento mostra o roteiro seguido pelo dinheiro, desviado do Banpará e aplicado em fundos de renda fixa nos bancos Itaú, Econômico (já extinto) e Citibank.Entretanto, amanhã somente serão apresentados os resultados da apuração feita no banco Itaú. Por isso, os integrantes do Ministério Público Federal acreditam que o rombo causado no período em que Jader era governador seja bem bem maior do que o já rastreado. "Estes números referem-se apenas aos rendimentos que estavam no Itaú. As investigações, de agora em diante, deverão centralizar em outras instituições bancárias", afirmou o subprocurador Paulo de Tarso Braz Lucas, coordenador da Câmara. As investigações apontaram que os rendimentos arrecadados não apenas referiam-se aos 11 cheques administrativos do Banpará depositados na aplicação, mas também a recursos de outros correntistas, tanto pessoas físicas como jurídicas. Neste meio estão diversas empresas que prestaram serviços para Jader na época em que era governador, além de colaboradores de campanha. Há outros sete cheques depositados no mesmo fundo pelo ex-diretor do Banpará e aliado do senador até hoje, Hamilton Guedes.

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