Procuradores brasileiros comemoram resultado de investigações na Suíça

Delegação esteve em Lausanne consultando pastas e arquivos de contas bloqueadas em nome do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa

Jamil Chades, correspondente de O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2014 | 14h30

LAUSANNE - Procuradores brasileiros comemoraram o resultados dos trabalhos realizados na Suíça, onde passaram a semana consultando documentos e extratos bancários das contas do ex-executivo da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. As informações poderão ser fundamentais para a Operação Lava Jato e nas denúncias que serão realizadas em dezembro.


"A viagem cumpriu o seu objetivo", disse o procurador Deltan Dallagnol. "Nós saímos satisfeitos. A cooperação foi intensificada. Eles conhecem informações que desconheciam e nós conhecemos informações que nós não conhecíamos", explicou.


A delegação chega mesmo a pensar em voltar à Lausanne, em janeiro de 2015. "Provavelmente a cooperação vai exigir que nós retornemos para cá continuar analisando os documentos", disse. "Não houve tempo de analisar tudo. A investigação deles é grande. Estão aprofundando bastante a investigação. Provavelmente eles vão ao Brasil também para tomar conhecimento maior daquilo que a gente já tem lá", concluiu Dallagnol.


Orlando Martello, um dos procuradores, confirmou que os documentos de movimentações de Costa foram fornecidos pelos suíços. Elas mostram que fez pagamentos e quem recebeu o dinheiro, cerca de US$ 26 milhões. 


Os extratos bancários das contas suíças Costa poderão abrir novas frentes de investigação no escândalo da corrupção no País. 


As novas descobertas, no entanto, não devem chegar ao Brasil a tempo para serem incluídas nos primeiras denúncias que devem ser apresentadas ao Judiciário em dezembro. As autoridades ainda precisam solicitar oficialmente alguns documentos e encaminhá-los à Justiça brasileira. 


O Ministério Público pretende apresentar, até a segunda semana de dezembro, denúncia contra Paulo Roberto Costa e 11 executivos de empreiteiras suspeitos de participarem de esquema para desviar recursos da Petrobrás, segundo investigação da Polícia Federal. O juiz federal Sérgio Moro tem até 20 de dezembro, quando começa o recesso do Poder Judiciário, para decidir se aceita e torna réus os acusados ou se rejeita a peça.


Suíça. No início do ano, os suíços iniciaram sua própria investigação e identificaram como as contas encontradas tinham uma relação direta com refinarias em Pernambuco e nos EUA. Costa poderá responder a um processo de lavagem de dinheiro na Suíça. 

 

Cinco contas em nome do ex-executivo da empresa foram encontradas com um total de US$ 26 milhões. Os recursos voltarão ao Brasil para uma conta que será administrada de forma conjunta pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

 

Mas é o que indicam os extratos e nomes de quem fez os depósitos que mais chama a atenção do grupo de brasileiros. O conteúdo dos extratos, quem alimentou as contas na Suíça e quem recebeu o dinheiro estão mantidos sob total sigilo enquanto a delegação brasileira estiver em Lausanne. O que os suíços fizeram, porém, foi traçar a origem e o percurso do dinheiro, o que revelou um caminho e envolvidos até agora desconhecidos no Brasil. Na Suíça, Costa não é o único investigado e a apuração do MP local avalia toda a rede de pagamentos. 

 

Entre os nomes buscados na investigação estão Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, o suposto operador do PMDB, além de empresas e intermediários. 

 

Os documentos foram liberados pelos bancos suíços por exigência da Justiça, que acumula verdadeiro dossiê sobre como funciona o pagamento de propinas no Brasil. Algumas das evidências apontam que as contas e o esquema já funcionam há anos nos bancos suíços, principalmente em Genebra. 

 

Essa promete não ser a última visita do grupo de procuradores brasileiros - Orlando Martello, Deltan Dallagnol e Eduardo Pelella. Visivelmente entusiasmados com as descobertas, os procuradores também fornecerão informações para o processo que corre na Suíça e devem retornar à Lausanne nos próximos meses.  

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