Procurador vai pedir que STF investigue mais parlamentares

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que instaure mais inquéritos contra parlamentares suspeitos de envolvimento em fraudes na compra de ambulâncias. A decisão da CPI dos Sanguessugas de denunciar 72 dos 90 congressistas acusados reforçou os indícios de existência do esquema e deverá ser mais um dos argumentos do procurador.Já tramitam no STF, em segredo de Justiça, 57 inquéritos contra 57 deputados suspeitos de participar das fraudes. Os novos pedidos deverão ser encaminhados em breve ao Supremo. Atualmente, Souza analisa novos documentos e o depoimento no qual o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, dono da empresa Planam, afirmou que outros parlamentares teriam se beneficiado do esquema sanguessuga.Não deve ser rápida a tramitação dos 57 inquéritos já abertos e dos outros que deverão ser instalados no STF. Como há muitos investigados, as apurações são mais complexas. Esse problema também tem ocorrido no inquérito aberto no Supremo para investigar o pagamento de mesadas a parlamentares. O esquema ficou conhecido como mensalão.Paralelamente a isso, está em análise no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma consulta do deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ). O parlamentar pergunta se o tribunal não poderia levar em conta as provas já existentes e tomar a iniciativa de abrir processos para impugnação dos mandatos dos candidatos suspeitos de envolvimento com o esquema.Na terça-feira, o TSE começou a analisar a consulta. Dois dos sete ministros do tribunal já disseram que o órgão não deve dar uma resposta agora. A discussão foi interrompida por um pedido de vista do ministro Carlos Ayres Britto. A previsão é que seja retomada na próxima semana. Mas a expectativa é de que o TSE não agirá neste momento porque há um princípio jurídico segundo o qual ninguém pode ser considerado culpado até uma decisão definitiva da Justiça, o que pode levar anos.

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