Procurador vai pedir devolução de salários de filha de FHC

Filha do ex-presidente admitiu em entrevista que trabalha de casa para o gabinete do senador Heráclito Fortes

Eugênia Lopes, Agência Estado

30 de março de 2009 | 20h11

O procurador Marinus Marsico entra nesta terça-feira, 1º, com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) solicitando que Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, devolva os salários que recebeu desde 2003, época em que começou a trabalhar no gabinete do senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Em entrevista à Folha de S. Paulo, Luciana admitiu que trabalha em casa e não vai ao Senado.

 

Na mesma representação, Marinus também pede que os quase quatro mil servidores que ganharam hora extra em janeiro, quando o Congresso estava de recesso, devolvam o dinheiro. Ele também quer que a diretora de Comunicação do Senado, Elga Mara Teixeira Lopes, que trabalhou em cinco campanhas políticas sem se afastar do cargo, faça o mesmo.

 

"Os três casos envolvem funcionários do Senado e são funcionários que receberam valores e não ofereceram a contra prestação de serviços. Peço que sejam apuradas as denúncias e, se confirmadas, a devolução dos valores ao Tesouro Nacional", explicou Marinus Marsico, que pretende encaminhar amanhã ainda pela manhã a representação ao presidente do TCU, ministro Ubiratan Aguiar. Caberá ao ministro Raimundo Carrero, que foi secretário geral do Senado antes de ir para o Tribunal, decidir se aceita ou não a representação apresentada por Marsico.

 

O Senado gastou R$ 6,2 milhões com o pagamento de hora extra para quase quatro mil servidores, em janeiro, mês em que o Congresso não funciona. Com um salário de R$ 7,6 mil mensais, a filha do ex-presidente Fernando Henrique afirmou que "trabalha mais em casa" porque faz "coisas particulares" para Heráclito Fortes. Luciana justiçou ainda que não vai ao Senado porque "é uma bagunça e o gabinete é mínimo". Nomeada pelo senador José Sarney (PMDB-AP), em 2003, como diretora de Modernização Administrativa e Planejamento do Senado, Elga Lopes se ausentou da Casa e trabalhou em cinco campanhas políticas sem se afastar do cargo.

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