Procurador quer civis na busca de corpos

Investigações devem contar com arqueólogos, legistas e odontólogos

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Procuradores da República querem que civis comandem as buscas pelos corpos de guerrilheiros que lutaram no Araguaia. Em ofício encaminhado ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no mês passado, os procuradores afirmam que as Forças Armadas devem participar das buscas, desde que comandadas por autoridades civis."Em que pese o amplo respeito que as Forças Armadas merecem em nosso País, parece-nos não ser recomendável que a colheita de elementos sobre violações aos direitos humanos praticadas no passado com envolvimento dessa instituição seja por ela própria realizada sem a coordenação em conjunto com autoridades civis", afirmaram os procuradores no ofício."A reconstituição desse capítulo da história brasileira deve ser fruto de um trabalho coletivo e plural, incluindo as Forças Armadas, mas certamente sob a coordenação em conjunto com órgãos ou instituições que constitucional ou legalmente estão afetadas à direta promoção dos direitos humanos, com transparência e participação da sociedade", acrescentaram. Os procuradores querem também que as buscas só sejam realizadas após a abertura dos arquivos existentes sobre a Guerrilha do Araguaia em posse de militares e, preferencialmente, "acompanhados de depoimentos de agentes que participaram" das operações do Exército para reprimir os guerrilheiros. Além disso, as investigações devem ter a participação de arqueólogos, legistas e odontólogos forenses, para que sejam reveladas, se encontradas as ossadas, as circunstâncias das mortes e dos sepultamentos. O ofício é assinado pelos procuradores André Raupp, Tiago Rabelo, Felício Fontes Júnior, Ubiratan Cazetta, Eugênia Fávero e Marlon Weichert. O grupo de trabalho criado pelo Ministério da Defesa no mês passado para buscar os corpos é capitaneado pelo comandante do Exército, general Enzo Peri.

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