Procurador nega ter pedido ritmo menor no caso Sudam

O procurador Nicolau Dino Neto negou hoje, em Fortaleza, ter pedido ao delegado Deuselino Valadares para que ele diminuísse o ritmo das investigações das fraudes na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O procurador acha que é vítima de retaliação da parte do delegado, por ter denunciado à Polícia Federal (PF) que ele poderia estar tentando extorquir empresários envolvidos nas fraudes.Valadares, que vinha presidindo o inquérito sobre os desvios da Usimar Componentes Automotivos, sediada no Maranhão e que recebeu R$ 44 milhões sem nunca ter funcionado, indiciaria a ex-governadora Roseana Sarney, por envolvimento no caso. Ele foi afastado e hoje disse que Dino Neto o havia procurado e teria lhe avisado para "tocar o caso em banho-maria".Dino Neto disse desconhecer o por quê do afastamento de Valadares. "O que eu posso afirmar é que recebi uma informação de fonte não identificada dizendo que ele (Valadares) estaria assediando empresários, envolvidos no caso Sudam, para facilitar o resultado das investigações", afirmou o procurador. De acordo com ele, a informação lhe foi passada através de telefonema anônimo. "Pela gravidade que a denúncia representa - não posso afirmar se é verdadeira ou falsa -, por dever de ofício, comuniquei à Polícia Federal", emendou o procurador."É lamentável uma retaliação dessa natureza", queixou-se Dino Neto, dizendo-se surpreso com "a dificuldade de compreensão do delegado no que toca ao sentido de um trabalho de equipe".Argumentou que o caso está sendo investigado de forma multidisciplinar e em vários Estados. "Toda equipe tem uma pauta que precisa ser completada e exaurida. E o delegado simplesmente anunciava que ia concluir o inquérito indiciando a ex-governadora Roseana Sarney e o secretário Jorge Murad (marido de Roseana)", comentou Dino Neto.De acordo com ele, o inquérito ainda não pode ser encerrado porque fatos ainda estão sendo levantados. "Temos notícia de destino de dinheiro para o Rio de Janeiro. Semana passada a nossa equipe esteve em Curitiba, colhendo informações. Ou seja, ainda estamos produzindo provas", alegou.Sobre a ação dos procuradores semana passada em Curitiba, Dino Neto informou que foram levantados dados que precisariam ser concluídos em outros Estados. Ele disse existirem informações mostrando que mais de 80% dos R$ 44 milhões da Usimar foram parar na capital paranaense e de lá foram para outras diversas contas de empresas que estão sendo investigadas. "Precisamos cruzar informações bancárias e precisamos também examinar documentos que foram apreendidos na empresa Lunus, em São Luís."Ele espera o julgamento do mandado de segurança no Tribunal Regional Federal (TRF) para ter acesso à documentação.

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