Procurador nega existência de gravação

Um dia após vazamento da conversa entre o ex-presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e um grupo de procuradores da República, o procurador Luiz Francisco de Souza defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista no Congresso para apurar as denúncias envolvendo ACM e o atual presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), além de Eduardo Jorge Caldas Pereira. "Todos os fatos denunciados devem ser apurados com rigor, doa a quem doer", afirmou Souza. O procurador negou a existência de supostas fitas com gravações da conversa entre ACM e os procuradores Guilherme Schelb, Eliana Torelli de Carvalho e o próprio Souza. De acordo com ele, o que foi divulgado pela revista IstoÉ seriam, na verdade, "apenas transcrições textuais da conversa ocorrida no encontro". Mesmo assim, Guilherme Schelb, colega de Souza, defendia, pela manhã, a abertura de procedimento administrativo pelo Ministério Público para apurar a origem da susposta gravação. Após uma longa reunião com Souza, no final da tarde, Schelb mudou de opinião. Disse que o assunto deveria ser tratado internamente, após o carnaval, numa reunião com todos os procuradores da República. O procurador Luiz Francisco disse não ser crime divulgar conversas que não estejam protegidas pelo sigilo constitucional. A opinião é a mesma do procurador Alexandre Camanho e de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, o STF diz que a pessoa pode gravar as conversas com seu interlocutor. A decisão do STF foi expedida durante o escândalo envolvendo o ex-ministro do Trabalho do governo Collor Antônio Rogério Magri, que confessou em fita gravada pelo ex-diretor do INSS Wolney Ávila ter recebido propina de US$ 30 mil para liberar recursos do FGTS para as obras do Canal da Maternidade, no Acre. Nesta sexta-feira, após sucessivas reuniões, os procuradores Luiz Francisco e Guilherme Schelb negaram um possível "racha" no Ministério Público por causa do vazamento da conversa que tiveram com ACM. Souza também não acredita que o episódio tenha afetado a credibilidade do Ministério Público. "Se tivesse, o presidente Fernando Henrique Cardoso não teria demitido dois ministros", alegou. "Aqui não tem racha algum", declarou Souza, após reunir-se por uma hora com Schelb. "O Ministério Público está e continuará uno e indivissível", acrescentou Guilherme Schelb, que também desmentiu um susposto "racha" na instituição. Ele disse que o MP não se influenciará por "efeitos externos" que possam vir a comprometer a atuação dos procuradores. Apesar disso, Schelb insiste na apuração da origem da suposta fita com a conversa entre ACM e os procuradores da República.

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