Procurador Luiz Francisco intimado a se explicar

O vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, juiz Catão Alves, intimou o procurador da República Luiz Francisco a se defender, no prazo de 15 dias, num inquérito relativo ao episódio da gravação da conversa do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) com o próprio Luiz Francisco e os procuradores Guilherme Schelb e Eliana Torelly, em fevereiro deste ano. A denúncia foi feita no dia 17 de julho pelos procuradores João Francisco Sobrinho e Maria Célia Mendonça. Eles afirmam que Luiz Francisco quebrou sigilo ao divulgar o conteúdo de uma gravação antes que investigações para comprovar a veracidade da conversa fossem realizadas. De acordo com eles, essa atitude infringe o artigo 325 do Código Penal. No dia 19 de fevereiro, cinco dias depois da eleição de Jader Barbalho (PMDB-PA) para a presidência do Senado, ACM marcou uma reunião com os procuradores no prédio do Ministério Público Federal. Luiz Francisco declarou que, por precaução, decidiu gravar a conversa com o senador, utilizando dois gravadores. Um deles estava no seu bolso e o segundo ficou em seu gabinete, contíguo ao local do encontro, o gabinete da procuradora Eliana Torelly. Na conversa, ACM afirmou que tinha visto a lista com os votos dos senadores no dia da cassação do ex-senador Luiz Estevão. Também teria dito que, se os procuradores quebrassem o sigilo do ex-secretário geral da Presidência, Eduardo Jorge, poderiam ligar o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, ao episódio do desvio de verbas das obras da nova sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo. A revista IstoÉ teve acesso à gravação e publicou a primeira matéria sobre o assunto, que acabou levando ao processo de cassação de ACM e de José Roberto Arruda (sem partido-DF). Procurado pela Agência Estado para comentar o assunto, Luiz Francisco não foi encontrado.

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