Procurador-geral recomendou extradição

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, enviou em março um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo a extradição do italiano Cesare Battisti. Para Souza, os crimes imputados a ele "parecem marcados por certa frieza e desprezo pela vida humana".Souza discordou da tese de que Battisti não deveria ser extraditado porque os crimes seriam políticos. "O simples móvel político não autoriza a prática de homicídios premeditados e de violência contra quem quer que seja, de modo que o elemento subjetivo exclusivamente não legitima a classificação dos fatos como crimes políticos", concluiu.O procurador fez mais observações sobre as acusações enfrentadas pelo italiano. "Battisti foi condenado por homicídios que, embora guardem certa motivação política, não tiveram como pano de fundo, por exemplo, uma manifestação ou rebelião, além do que ceifaram a vida de civis e de autoridades que se encontravam então indefesos", disse.No processo de número 3.576, sobre a extradição de número 1.085, Souza reproduz a descrição dos crimes pelos quais Battisti foi condenado. Os relatos são baseados nas investigações feitas na Itália e remetidas ao Brasil para justificar a extradição.No registro sobre o assassinato de Antonio Santoro, ocorrido em 6 de junho de 1978, as autoridades italianas relatam que a vítima foi alvejada com um tiro nas costas, seguido de outros dois, "quase a queima-roupa". Na morte do açougueiro Lino Sabbadin, Battisti e Diego Giacomini teriam usado barba e bigode postiços.

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