Procurador-geral do DF é suspeito de vazamento

Leonardo Bandarra é suspeito de vazar Operação Megabyte, que apurou desvio de R$ 1,2 bilhão

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2010 | 10h22

BRASÍLIA - O procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, aparece agora no centro da suspeita de vazamento de uma das principais investigações do Ministério Público em Brasília nos últimos anos: a Operação Megabyte, que apurou o desvio de R$ 1,2 bilhão dos cofres públicos. Essa investigação, feita em 2008 por promotores do DF, atingiu Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e delator do esquema do "mensalão do DEM".

 

Naquela época, o Ministério Público local apurou um esquema de desvios de recursos por empresas de informática ligadas a Barbosa. Desde então, os investigadores levantaram suspeitas de vazamentos, de dentro do próprio Ministério Público do DF, que atrapalharam a ação de busca e apreensão. Dois anos depois, o nome de Bandarra aparece oficialmente em depoimentos e relatos da Corregedoria da instituição sobre esse episódio.

 

Leonardo Bandarra chefia os promotores de Brasília. Desde anteontem é alvo de uma investigação do Conselho Nacional do Ministério Público por suposto envolvimento no esquema de corrupção no DF. Em troca de dinheiro, o procurador-geral teria dado, sempre segundo depoimentos oficiais de Durval Barbosa, informações privilegiadas ao governo local e prometido não criar problemas para a gestão do ex-governador José Roberto Arruda.

 

Novos depoimentos - incluindo os de promotores do DF - e dados de sigilo telefônico, obtidos pelo Estado, apontam para um vazamento da minuta da Ação Cautelar de Busca e Apreensão da Operação Megabyte e ligam o episódio ao nome de Bandarra.

 

Durval Barbosa disse, em depoimento, que teve acesso a esse documento sigiloso no dia 16 de maio de 2008 - duas semanas antes da operação - por meio da promotora Deborah Guerner, apontada como intermediária das negociações entre Bandarra e Arruda. Segundo Barbosa, Deborah afirmou, na época, que o documento era "ouro". Ele foi informado, entre outras coisas, que haveria uma operação de busca e apreensão em sua casa.

 

Sindicância

 

De acordo com Barbosa, esse documento foi o mesmo que tomou conhecimento, de forma oficial, após a Operação Megabyte entrar em ação em 3 junho daquele ano. Em depoimentos que constam na sindicância concluída anteontem pelo Ministério Público do Distrito Federal, o promotor Eduardo Gazzinelli, responsável por essa operação, deixa claro: apenas Bandarra teve acesso ao tal documento com antecedência num envelope lacrado. "A única pessoa que recebeu a minuta impressa foi o procurador-geral de Justiça, dr. Leonardo Bandarra", disse Gazzinelli.

 

O documento, segundo ele, foi produzido em um computador sem acesso à internet para evitar vazamentos. Mas isso não foi suficiente. "O declarante conclui que houve vazamento da operação Megabyte", diz trecho do depoimento de Gazzinelli.

 

Sua colega de investigação da Megabyte, a promotora Juliana Poggiali, deu a mesma versão sobre o destino do documento que vazou. "Esta minuta foi entregue exclusivamente ao procurador-geral de Justiça (Bandarra)".

 

De acordo com relatório final da sindicância que investigou as ações de Bandarra e Deborah Guerner dentro do Ministério Público do DF, os dois trocaram telefonemas na madrugada anterior à operação de busca e apreensão na casa de Durval Barbosa. Gráficos "sigilosos", segundo a investigação, mostram uma "intensa comunicação telefônica" entre os dois. Bandarra tem dito que mantinha apenas "relações institucionais" com Deborah Guerner.

 

Procurado pelo Estado, o chefe do Ministério Público do DF afirmou, por meio de sua assessoria, que teve acesso ao relatório da sindicância somente no início da noite de ontem e que, por isso, não poderia comentar o caso. A promotora Deborah não foi localizada pela reportagem.

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