Procurador-geral analisa denúncias contra Yeda

Souza está em posse de documentos, alguns secretos, mas ainda não instaurou inquérito

, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Em um de seus últimos trabalhos como procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza concentra-se na análise de documentos sigilosos sobre a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). A assessoria de comunicação do procurador confirmou que ele realmente estuda a papelada, mas disse que ainda não existe um inquérito formal. Souza deixa o cargo amanhã e os favoritos para o posto são os subprocuradores-gerais da República Wagner Gonçalves e Roberto Gurgel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não escolheu o substituto.Quem herdar o cargo terá de decidir se pede ou não a abertura de investigação contra a governadora. Um eventual inquérito terá de tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por causa do foro especial.Desde que tomou posse, a tucana enfrenta uma série de acusações. Segundo ela, são todas falsas. Uma das denúncias é a de que teria havido caixa 2 em sua campanha pelo governo gaúcho, em 2006. Além disso, no ano passado, surgiram indícios de envolvimento de auxiliares próximos da governadora com um esquema de desvio de recursos do Detran. Há suspeitas de que teria ocorrido cobrança de preços superfaturados por fundações e empresas contratadas sem licitação.Surgiram também suspeitas em relação à compra da casa da governadora. O imóvel teria sido adquirido em dezembro de 2006, dias antes da posse, por R$ 750 mil. Integrantes do Ministério Público suspeitam de que tenha sido usado dinheiro proveniente de caixa 2. IMPEACHMENT E CPIEm junho do ano passado, o PSOL e o PV protocolaram um pedido de impeachment contra a governadora, posteriormente arquivado pela Assembleia Legislativa.Em maio deste ano, uma reportagem publicada pela revista Veja citou supostas gravações nas quais um ex-assessor de Yeda teria admitido a coleta de R$ 200 mil de empresas após a eleição de 2006. Uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as suspeitas contra a governadora chegou a ser cogitada. Em maio, integrantes de partidos de oposição retomaram a coleta de assinaturas para tentar instalar a CPI.

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