Procurador diz ter provas contra Palocci no caso do caseiro

Ex-ministro da Fazenda é acusado de ter participado da quebra do sigilo bancário de Francenildo Costa

Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2008 | 11h06

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, afirmou ter provas suficientes para comprovar a participação do ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP) na quebra e no vazamento de dados bancários do caseiro Francenildo dos Santos Costa.   "Se não foi ele, tem que aparecer de alguma forma. Está tudo justificado", afirmou ao chegar à reunião do Conselho Nacional de justiça (CNJ). "A leitura da denúncia mostra que o convencimento surge das provas que estão nos autos", acrescentou.   Além de Palocci, foram denunciados ao Supremo o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso e o ex-assessor de imprensa do Ministério da Fazenda Marcelo Netto. Os três são acusados de quebra de sigilo funcional, cuja pena varia de 1 a 4 anos de prisão.   A denúncia, que ainda está sob segredo de justiça, foi encaminhada na sexta-feira da semana passada ao ministro do STF Gilmar Mendes, que relata as investigações. Para que a denúncia seja aceita, os ministros precisam aprová-la em plenário. Somente depois disso será aberta uma ação penal contra os três.     O então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, elogiado até pela oposição por sua rigidez no comando da economia, entregou o posto em 27 de março de 2006. Saiu três semanas após o jornal O Estado de S. Paulo publicar um relato do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, sobre festas e partilha de dinheiro em uma mansão no Lago Sul de Brasília, com participação de Palocci e da chamada "República de Ribeirão", encontro de lobistas em uma mansão em Brasília. Nos dias seguintes, Nildo teve o sigilo bancário violado, operação que derrubou não só Palocci como o comando da Caixa.   Outras acusações   Em 2005, Palocci foi indiciado no inquérito sobre a máfia do lixo em Ribeirão Preto - cidade que o ex-ministro administrou em duas ocasiões. Ele é acusado de licitações fraudulentas, desvio de dinheiro e recebimento de propina. Grande parte das acusações foi feita por Rogério Buratti. O empresário denunciou mensalão de R$ 50 mil que teria sido pago pela empreiteira Leão & Leão ao petista na época em que comandou a Prefeitura de Ribeirão pela segunda vez, entre 2000 e 2002.   O empresário Rogério Buratti, principal testemunha do Ministério Público, já voltou atrás em suas acusações, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, mas o Supremo não tem acompanhado a dinâmica do caso. Buratti também envolveu o ex-ministro nas negociações da chamada "máfia do lixo", e na renovação de contrato da Gtech. As acusações nunca chegaram a ser provadas judicialmente.

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