Procurador diz que Roseana sabia de problemas na Usimar

O procurador da República no Tocantins, Mário Lúcio Avelar, disse que todas as pessoas que participaram da reunião do Conselho Deliberativo (Codel) da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em 14 de dezembro de 1999, que aprovou o projeto da Usimar Componentes Automotivos, "sabiam previamente que esse projeto tinha falhas estruturais, tinha falhas que caminhavam para esse rumo da fraude." Segundo ele, entre essas pessoas estava a ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL).Avelar também não diminuiu a responsabilidade do atual secretário de Ciência e Tecnologia do Maranhão, Jorge Murad, marido da ex-governadora. "O senhor Jorge Murad atuou de forma eficiente na aprovação desse projeto, que veio redundar numa fraude de R$ 44 milhões", afirmou. "E não só desse projeto como de outros, tanto que ele era informado previamente de tudo que se passava." O projeto total da Usimar era de R$ 1,38 bilhão.Avelar e procuradores do Maranhão, Brasília e Paraná estão em Curitiba para ouvir envolvidos no projeto Usimar, entre eles o controlador da empresa, Teodoro Hübner Filho, cujo depoimento deve terminar no início da madrugada de sexta-feira. Até o final da tarde, o empresário havia dito que toda a responsabilidade financeira do empreendimento era do diretor da empresa, Valmor Felipetto, e de um de seus funcionários, Amauri Cruz dos Santos. Eles serão ouvidos amanhã."O que ele (Hübner) procura demonstrar é que não está com o dinheiro", disse o procurador paranaense, Nazareno Wolff. Segundo Wolff, parte dos R$ 22 milhões liberados pela Sudam para a Usimar, em 24 de janeiro de 2000, foi depositado em contas de "laranjas" e enviado para o exterior pelas empresas de consultoria cariocas Yahweh Nissi e Condor. "Os indicativos trazidos por ele (Hübner) são de que 10% seriam comissão para a pessoa encarregada do agenciamento do projeto na Sudam, e 30% seriam outra comissão, que também teria ido para o exterior", disse Wolff.Segundo os procuradores, as irregularidades da Usimar começaram na constituição da empresa, e isso seria do conhecimento dos participantes da reunião em que o projeto foi aprovado. "A Usimar era um projeto natimorto, tanto que buscaram comprovar a contrapartida de R$ 690 milhões com recursos de precatórios", disse Avelar. "Isso não é lastro para aprovação de nada." Além disso, o próprio capital da Usimar naquela fase restringia-se a um contrato entre ela e sua holding, a ML, envolvendo maquinários que ainda estariam no Porto de Paranaguá.De acordo com os procuradores, no depoimento Hübner disse que a Engeblon, uma de suas empresas, foi reativada apenas para servir no processo fraudatório idealizado por Felipetto e Santos. "O dinheiro da segunda parcela (R$ 22 milhões, liberados em 5 de abril de 2000) transitou pela Engeblon para capitalizar a ML", disse o procurador do Maranhão, Antônio Cavalcanti. "O próprio dinheiro da Usimar era usado como contrapartida", disse. "A circulação rápida de recursos entre as contas era usada na tentativa de maquiar e dificultar a localização do destino final."

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