Procurador diz que pediu ao Senado dados sobre Renan

Antonio Fernando informa, no entanto, que as informações não chegaram no Supremo

EDUARDO KATTAH, do Estadão,

14 Setembro 2007 | 17h16

O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, ressaltou nesta sexta-feira, 14, que solicitou o repasse de todas as informações referentes às denúncias apresentadas contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pelo Senado ao Supremo Tribunal Federal (STF).  A pedido de Souza, o STF abriu no início de agosto inquérito para avaliar as condutas atribuídas a Renan e supostas irregularidades em sua movimentação financeira. "O pedido formulado ao Supremo foi no sentido de que todas as informações que estão no Senado sejam repassadas para ingressar nesses autos. As informações não chegaram no Supremo", disse o procurador-geral.  No mesmo inquérito deverão ser apuradas outras duas denúncias contra Renan: a acusação de favorecer o grupo Schincariol e de usar parentes como laranjas na compra de duas emissoras de rádio em Alagoas. O senador pode ser alvo de investigação também em inquérito no STF que apura suposta irregularidades e envolvimento de políticos para favorecer o Banco BMG na abertura de crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS.  Souza salientou que o procedimento no STF ainda não retornou à Procuradoria-Geral da República porque ainda depende das informações que foram solicitadas ao Senado. "Tão logo volte, vou examinar (as denúncias)". Ele evitou comentar a absolvição de Renan no primeiro processo de cassação no Senado. "Quando se está no exercício de um cargo, fica muito difícil fazer esse juízo. Cada instituição tem a sua responsabilidade e respondem os seus membros pelos atos que praticarem".  Sem imunidade Porém, antes de participar do evento de encerramento da Semana do Ministério Público Estadual (MPE), em Belo Horizonte, o procurador-geral foi condecorado no Palácio da Liberdade pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), com a Grande Medalha da Inconfidência. Em seu discurso, Souza agradeceu a homenagem e fez questão de destacar que, "no estado de direito, não existem autoridades imunes à investigação".  Também estavam presentes na solenidade os ministros do STF JoaquimBarbosa e Cármen Lúcia Antunes Rocha, além dos ex-ministros da Corte, Sepúlveda Pertence e Carlos Veloso. Aécio aproveitou para fazer rasgados elogios ao procurador-geral e Barbosa - responsáveis, respectivamente, pela denúncia e por relatar o processo que levou à abertura de ação penal contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão.  O governador mineiro disse que Souza e o ministro do STF são "brasileiros que têm dignificado, de forma tão retumbante, a democracia e a liberdade no Brasil". Questionado sobre novas investigações envolvendo o mensalão, o procurador-geral afirmou que o procedimento foi iniciado, mas ainda está numa fase inicial. "Além do objeto da denúncia existe um outro procedimento que está em curso. Mas está numa fase ainda muito inicial, o que não dá para fazer um juízo seguro".

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