Procurador denuncia Marcos Valério e mais seis por 'Valerioduto'

Empresário é acusado por supostos crimes de corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro

MARCELO AULER, da Agência Estado

18 de março de 2010 | 13h29

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, seus dois sócios na empresa Tolentino & Melo Associados , Rogério Lanza Tolentino e José Roberto Moreira de Melo, o ex-procurador da Fazenda Glênio Sabbad Guedes, sua esposa, Cibele Gomes Giacoia, e os pais de Guedes - Ramon Prestes Guedes de Moraes e Sami Sabbad Guedes - foram denunciados ontem pelo procurador da República Antônio do Passo Cabral junto à 3ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de corrupção, ativa e passiva, tráfico de influência, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

 

Segundo o procurador Cabral, quando ainda era procurador da Fazenda Nacional, Guedes recebeu propina e benesses do chamado "Valerioduto", que era operado por Marcos Valério e seus dois sócios com a finalidade de praticar atos em favor de bancos e instituições financeiras ligadas ao esquema do "Mensalão" junto ao no Conselho de Recurso do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), conhecido como "Conselhinho", no qual o procurador da Fazenda tinha assento.

 

A acusação tem por base diversos processos administrativos instaurados pela Advocacia Geral da União (AGU) que culminaram com a demissão de Guedes - medida que ele tenta reverter com ações judiciais. Já na denúncia do Mensalão apresentada pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, incluía Guedes na "rede própria de servidores corrompidos" que Marcos Valério mantinha para "facilitar suas atividades ilícitas". Na época, ele não foi denunciado pela necessidade de se aprofundarem as investigações.

 

No esquema montado, segundo o procurador Cabral, os bancos repassavam dinheiro ao esquema de Marcos Valério quando havia julgamento no conselhinho que lhes interessava. Um caso levantado foi do BMG que uma semana antes do julgamento do Recurso nº 4504 pagou à Tolentino & Melo R$ 995.396,00. No dia seguinte, 4 de dezembro de 2003, a empresa de Marcos Valério depositou R$ 782.000,00 na conta de Glênio. Novo pagamento de R$ 995.396,00 foi feito pelo BMG, no dia 11, um dia após o julgamento do recurso no CRSFN, à Tolentino & Melo. No dia 22 houve um terceiro depósito de R$ 676.680,00.

 

Os repasses a Glênio foram justificados como uma suposta "consultoria tributária" prestada pelo pai dele, Ramon Guedes. Mas o procurador Cabral e os processos administrativos mostraram que estes "pareceres", com poucas páginas eram de obviedades jurídicas que jamais justificariam os valores pagos. Para mostrar que o dinheiro beneficiava Glênio, o procurador da República, através de um levantamento nos cartórios. mostrou que o patrimônio do procurador da Fazenda teve abrupto aumento, com a compra em pouco mais de 3 anos de imóveis que totalizaram mais de R$ 7 milhões.

 

Nesta quarta-feira, 17, procurado pelo Estado, Glênio não foi encontrado. Seu pai, Ramon, além de não fornecer o telefone do filho, recuou-se a comentar a denúncia, alegando que responde a muitas ações e precisa conhecer o teor desta nova. Já o advogado mineiro Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério, resumiu a explicação que seu cliente e os sócios dele deram para acusações com relação ao procurador da Fazenda: "Eles negam estas acusações e dizem que houve apenas uma relação profissional entre o escritório de Rogério Tolentino e do advogado Ramon Guedes, não tendo ocorrido tráfico de influência. Em relação ao procurador Glênio, Valério o conhecia apenas de atividades hípicas", disse.

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